Domingo, 16 de Maio de 2010
A estátua...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Sérgio disse, com a sua enorme mas só mais recentemente conhecida desfaçatez, que se as coisas lhe tivessem corrido apenas um pouco melhor, os vitorianos até lhe teriam "feito uma estátua".

O seu comportamento nestas últimas quatro semanas, fez-me recordar uma história de cobiça e traição, contada por Tolkien na saga d' O Senhor dos Aneis.

No essencial, a história era mais ou menos assim...

 

Sméagol e Déagol eram Hobbits, primos e melhores amigos, que viviam numa aldeia nos prados de Gladden Fields.

Um dia, quando ambos pescavam no seu barco, Déagol caiu à água e encontrou um lindíssimo anel de ouro no fundo do rio. Deágol estava radiante com a sua descoberta, mas era Smeágol quem estava realmente enfeitiçado pelo anel ("the precious"). O deslumbramento e a cobiça fizeram com que Sméagol esquecesse todos os seus princípios e até a sua grande amizade pelo primo. Cego e obcecado pela ganância, não hesitou em fazer o que fosse necessário para conseguir os seus intentos. Smeágol matou o seu primo e assim se apoderou do anel.

"We wantsss it !  We lovesss it !  And he wanted to keepsss it from usss...", repetia para si mesmo, uma e outra vez.

Os Hobbits, em estado de choque ao saber da atrocidade cometida e estupefactos com a frieza glaciar de Smeágol, acabaram por o expulsar da aldeia, banindo-o para sempre.

O tempo, a solidão e a fome, transformaram-no numa criatura deformada e hedionda, que passou a ser conhecida pelo Gollum. Esquecido da sua antiga identidade, acabou por se convencer que o seu corpo era partilhado por dois seres distintos - ele próprio Gollum, e Sméagol, uma personagem que já não reconhecia. A criatura sofria de dupla personalidade, num conflito permanente entre a inocência de Sméagol e a crueldade do Gollum. Só assim se poderia justificar o facto de parecer sempre tão honesto numas alturas, e ser tão traiçoeiro noutras.

Inevitavelmente, a história de Gollum teria de ter um final trágico.

A sua obsessão pelo anel do poder acabou por lhe custar a vida, anos mais tarde, na lava do Monte da Perdição...

 

E para terminar, apenas uma questão... será que Paulo Sérgio estaria realmente a falar a sério a respeito da tal estátua?

Pois bem, na dúvida, aqui está aquela que lhe dedicamos, feita em bronze para que o verdete lhe recorde para sempre a cor que o há-de levar, seguramente, à sua própria perdição...


José Rialto

 

(cartoon publicado no sítio da Associação Vitória Sempre)




publicado por Miguel Salazar às 20:45
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4 comentários:
De jose machado a 18 de Maio de 2010 às 15:48
Caro Miguel Salazar

Muitos e sinceros parabéns.

O Sr. é um dos melhores cronistas do quotidiano vitoriano. E um excelente comunicador/transmissor do nosso sentir e sentimento quotidiano.

Bem haja.



De Miguel Salazar a 19 de Maio de 2010 às 10:14
Caríssimo José Machado,
Muito obrigado pela generosidade das suas palavras.
Acredite que me sinto muito honrado com o seu comentário.
A verdade é que, com estes trabalhos, espero sempre poder contribuir, de algum modo, para o engrandecimento do nosso clube.
É apenas isso que me move, para além (claro) do prazer que me dá fazê-los...


De anónimo a 19 de Maio de 2010 às 14:29
Francamente acho que já se está a exagerar nas críticas a Paulo Sérgio, que teve um momento pouco feliz, é certo, mas no geral não desrespeitou a nossa instituição.

Que dizer de José Mourinho, que ainda tem a final da liga dos campeões para jogar e já disse que não se sente bem no Inter e o que quer é treinar o Real Madrid ou Barcelona?

Que eu saiba os interistas não lhe estão a fazer esta guerra que estão os vitorianos a fazer a Paulo Sérgio.



De Miguel Salazar a 19 de Maio de 2010 às 15:28
"Um momento pouco feiliz", meu caro?
Que eu tenha contado foram pelo menos três ou quatro...

"Não desrespeitou o Vitória"?
Mas então, ele não nos mentiu quando disse que só pensaria no Vitória até ao fim do campeonato?

E quanto a José Mourinho...
Primeiro, não me parece que tenha sido muito feliz na escolha do termo de comparação; apesar de considerar JM um enormíssimo treinador de futebol, julgo que tem uma maneira de estar no futebol que me parece muito pouco correcta...
E depois, porque não me parece muito satisfatório procurar na desgraça dos outros a nossa própria felicidade...

Mas, para concluir, devo dizer-lhe que a menos que haja novos desenvolvimentos, não tenciono voltar a referir-me a Paulo Sérgio.
Claro que poderei sempre fazer qualquer coisa, num jogo entre o Vitória e o Sporting da próxima época, isto claro se ele ainda for, nessa altura, treinador em Alvalade...


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