Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Ilustres Vimaranenses (9) - Mumadona...

 

 

 

Foi por estes dias, há 159 anos atrás, que a Raínha Dona Maria II visitou a vila de Guimarães. Uma visita que deixou a Raínha de tal maneira deslumbrada que, mais tarde, escreveu assim sobre a nossa terra e a sua gente...

Querendo eu também dar, aos habitantes de tão nobre povoação, um testemunho autêntico do distinto apreço em que tenho a sua honrada e habitual dedicação à cultura das artes e trabalhos úteis, por mim presenciados na ocasião da minha visita às províncias do norte: hei por bem elevar a Vila de Guimarães à categoria de Cidade com a denominação de Cidade de Guimarães, e me praz que nesta qualidade goze de todas as prerrogativas, liberdades e franquezas que direitamente lhe pertencerem.

E foi assim que no mês seguinte a esta visita, a 22 de Junho de 1853, a Raínha Dona Maria II assinou a carta régia que mandava cumprir o decreto de elevação de Guimarães a cidade.

Para comemorar o aniversário da visita que tanto impressionou Dona Maria II, nada melhor do que publicar a caricatura daquela que foi a fundadora de Guimarães - a Condessa Mumadona Dias.

 

Mumadona Dias era filha do Conde Diogo Fernandes e da Condessa Onega Dulcides, bisneta de Vimara Peres e tia do Rei Ramiro II de Leão.

Esta galega governou o primeiro Condado Portucalense, inicialmente com o seu marido – o Conde Hermenigildo Gonçalves –, e sozinha, após a sua morte em 928.

Dos seus 6 filhos, foi a Gonçalo I Mendes que coube a honra de herdar o Condado das mãos de sua mãe.

Mumadona Dias foi a fundadora da vila de Guimarães, ao sediar na sua herdade de Vimaranes, um mosteiro em honra a Santa Maria.

Para defender o Mosteiro de Santa Maria dos ataques dos Normandos, a Condessa Mumadona ordenou então a construção de um castelo, à volta do qual foi crescendo a Vila de Cima (ou Vila do Castelo).

laboravimus castellum quod vocitant sanetum mames in locum predictum alpe latito quod est super huius monasterio constructum et post defensaculo huius sancto cenobio concedimus cum fratribus et sororibus in ipso monasterio persistentibus…”

A referência é clara, e dá conta da necessidade de defender o mosteiro recém-edificado.

O castelo por sua vez erguia-se no local previsto – “alpe latito”, o Monte Latito.

Foi aqui que então se instalou a sede da corte dos Condes de Portucale.

Mumadona Dias morreu em 968, com 68 anos de idade…

 

Fernão Rinada

 

Fontes de pesquisa:

Nos 150 anos da elevação a cidade, em Memórias de Araduca

Mumadona Dias, na Wikipédia

Mumadona Dias, no sítio do Paço dos Duques de Bragança

Fotografia de estátua da Condessa Mumadona Dias (em Guimarães)



publicado por Miguel Salazar às 00:00
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2 comentários:
De anónimo a 7 de Maio de 2012 às 21:46
Curiosa ideia esta, de fazer a caricatura de alguém, cuja retrato ninguém conhece.
Mas a ideia é boa e a imagem ficou bonita, incluindo o pormenor da mensagem escrita na torre de menagem.
Bem ao nível do autor
Parabéns


De Miguel Salazar a 7 de Maio de 2012 às 22:12
Muito obrigado...
Na verdade, meu caro, outra hipótese eu não teria desde que quisesse mesmo homenagear a Condessa Mumadona.
Nestas circunstâncias, como noutras que se lhe hão-de seguir, tive de me basear numa estátua desta personagem, que obviamente é absolutamente fantasiosa.
Neste contexto, restava-me o tentar jogar com outro tipo de pormenores como o da inscrição da torre e o da decoração da coroa.
Ainda bem que gostou... :-)


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