Segunda-feira, 16 de Setembro de 2013
Ilustres Vimaranenses (16) - Novais Teixeira…

 

 

 

 

 

 

 

 

"Não, não sou português, sou mais do que isso, sou de Guimarães! Com efeito, sou de uma pátria pequenina e sólida chamada Guimarães (...) O resto, meus velhos amigos, é a fronteira de um outro mundo.

Novais Teixeira

 

Joaquim Novais Teixeira nasceu em Guimarães, a 21 de Abril de 1899.

Foi literalmente um "homem dos sete ofícios": escritor, jornalista, activista político, crítico literário e cinéfilo, programador cultural, comentador de política internacional e administrador.

Emigrou para Espanha aos 20 anos, onde frequentou o meio literário e artístico, tendo-se relacionado com grandes vultos da cultura espanhola daquela época, como eram Unamuno, Garcia Llorca, Pio Baroja, Diez Canedo, Valle-Inclán ou Luís Buñuel. Colaborou com o Presidente Manuel Azaña, e chefiou o Serviço de Imprensa Espanhola. Viveu intensamente a Guerra Civil e os textos que então publicou, constituem um dos mais notáveis contributos para o conhecimento daquele período intenso e conturbado da História de Espanha. Depois da Guerra, refugiou-se em França, impedido que foi de regressar a Portugal pelo regime Salazarista.

A invasão da França pelas tropas alemãs, acabou por o conduzir ao exílio no Brasil, onde viria a dirigir a Interamericana, serviço que apoiava a causa dos Aliados. Colaborou na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, da qual foi seu Secretário-Geral. Dedicou-se à tradução, numa actividade muito intensa durante o ano de 1927, que teve particular ressonância na edição que preparou sobre as cartas do Padre António Vieira, em 1948.

Como jornalista, Novais Teixeira foi considerado um dos maiores especialistas mundiais sobre política internacional do seu tempo. Em França, foi o representante de jornais brasileiros prestigiados, como O Globo e O Estado da São Paulo. Ficaram famosas as suas reportagens na Itália e na Suíça, e os trabalhos que publicou sobre a questão franco-árabe com reportagens na Tunísia, na Argélia e em Marrocos.

Desde cedo ligado ao cinema, Novais Teixeira foi um dos mais respeitados críticos do seu tempo. Integrou os júris de prestigiados festivais internacionais de cinema, como eram os de Cannes, Locarno e Berlim, chegando mesmo a ser Presidente da Direcção da Fédération Internationale de la Presse Cinématographique. Em 1972, colaborou na organização do Festival de Cinema de Nice, que nesse ano foi dedicado ao então jovem cinema português. Em sua homenagem, o Syndicat Français de la Critique de Cinéma instituiu o Prémio Novais Teixeira, atribuído anualmente à melhor curta-metragem.

Em 1956, quando regressava a Guimarães, depois de décadas a viver no exílio, os amigos fizeram-lhe uma sentida homenagem. Durante esse jantar, realizado no Restaurante Jordão, Novais Teixeira agradeceu-lhes, num discurso que mostrava bem a maneira muito própria como sentia a sua condição de vimaranense:

 

“Guimarães tem sido sempre também uma das constantes da minha vida.

Em toda a parte me dou a conhecer como homem de Guimarães e, em toda a parte, me conhecem como tal.

Quando alguém me pergunta se sou português, é do meu hábito – e da minha verdade – responder:

‘Não, não sou português, sou mais do que isso, sou de Guimarães! Com efeito, sou de uma pátria pequenina e sólida chamada Guimarães (...) O resto, meus velhos amigos, é a fronteira de um outro mundo.’

No amor pelos homens, e na defesa dos seus direitos e dignidade, não reconheço fronteiras.

Mas a minha Pátria, a Pátria que me fez vibrar, a minha Pátria autêntica e forte é a Pátria da minha infância, é Guimarães!”

 

Joaquim Novais Teixeira morreu em Paris, em Dezembro de 1972.

40 anos mais tarde, a Capital Europeia da Cultura, Guimarães'2012, prestou a sua homenagem a Novais Teixeira, com a realização de um documentário de Margarida Gil, intitulado "O Fantasma do Novais", sobre o legado do crítico de cinema, "num cruzamento entre o passado e o presente, entre a realidade e a ficção". A CEC'2012, prestou-lhe ainda um outro tributo, com a realização de um concurso para os novos talentos portugueses. Com as "Curtas Novais Teixeira" foi possível "aumentar o património cinematográfico referente a Guimarães e incentivar o trabalho de novos realizadores, através do estímulo da visão crítica, ficcional ou política de uma cidade na Europa contemporânea".

 

Fernão Rinada

 

Fontes de pesquisa:

"O Desafio de 2012 (9)"

"Sou de uma pátria pequenina e sólida chamada Guimarães"

"Joaquim Novais Teixeira de Guimarães para o Mundo"



publicado por Miguel Salazar às 20:12
"link" do artigo | o seu comentário | favorito

1 comentário:
De Miguel Salazar a 17 de Setembro de 2013 às 19:52
Meu caro, é muito pertinente a sua observação.
Tão pertinente que resolvi rever o texto.
E por isso resolvi também não publicar o seu comentário.
Se o publicasse, perder-se-ia o efeito desejado, não é verdade?
Obrigado pela colaboração... e pela compreensão...


Comentar artigo

procurar cartoons
procurar por nome/palavra
 
desenhos mais recentes

a Sétima Cruzada da Era M...

O rapaz do Bar...

Bongani Zungu...

Em busca da segunda chave...

A primeira das duas chave...

8º aniversário do “ÁLB’oo...

O homem-forte, o menino b...

Dragão d'Ouro...

Janeiro, o mês do nosso m...

O "déjà vu" de Jorge Simã...

arquivo de desenhos
tudo sobre
tudo sobre
para explorar o blogue
acerca de nós
visitas nas últimas 24h

visitas acumuladas

páginas visualizadas