Sexta-feira, 9 de Outubro de 2015
O Vitória no tempo do foot-ball (1927-1932)...

(continuação de outro texto, que poderá ler aqui)

 

Criado no Outono de 1922, no início de 1927 o Vitória Sport Clube era uma agremiação desportiva em vias de consolidação e em condições de começar a disputar a hegemonia do seu principal rival no distrito, o Sporting Clube de Braga. Tinha resolvido o problema das instalações, ganhara “músculo” após a fusão com o Atlético Sport Clube, acabara de vencer o campeonato distrital de infantis. O futuro apresentava-se promissor. Todavia, os tempos que se seguiram foram, em tudo, o contrário do que seria previsível: durante cinco longos anos, o Vitória entrou num processo de declínio que parecia anunciar a sua extinção e o futebol, enquanto modalidade de competição, deixou de ser praticado em Guimarães.

Os sinais da crise já eram visíveis nos primeiros dias de 1927 e estão descritos na página de desporto de A Razão, o jornal republicano onde colaborava Heitor da Silva Campos, fundador e presidente do então já extinto Atlético Sport Clube, de quem falaremos mais à frente. Essa secção desportiva aparecia com uma ambição declarada: fazer prevalecer o desporto em Guimarães, suster-lhe o declínio e erguê-lo de novo à culminância a que tem direito. Num texto programático, assinado por um tal Siul, em que se procurava responder à pergunta: como compreender o constante progresso do “Desporto” em todo o nosso país e como permitir a sua decadência em Guimarães?. Aí ficaram registadas as dificuldades que estrangulavam o desenvolvimento do desporto vimaranense, contrariando “os enormes sacrifícios de meia dúzia de rapazes cheios de boa vontade”, como Afonso da Costa Guimarães, Heitor da Silva Campos, Gualberto Pereira, Eduardo Passos e António Macedo Guimarães”, e se apontaram as causas daquela “quase decadência”: a apatia e as dificuldades financeiras, “o problema que a todos assusta e faz medo”. Segundo o articulista, não bastava que a direcção do Vitória se desse por satisfeita em pôr dinheiro do seu bolso. Impunha-se o apoio dos poderes públicos, nomeadamente da Câmara Municipal, à imagem do que se via acontecer noutras terras. Para tanto, seria necessário que os directores do clube fossem mais lestos e mais “fura-paredes” na busca de soluções para os problemas com que se confrontavam. Mas, ao que se percebe, também eles já estariam contaminados pela apatia geral.

Num segundo artigo, no mesmo número da A Razão, o comentador desportivo que assinava com o pseudónimo de Penalty, batia na mesma tecla: “que o sport em Guimarães atravessa uma crise acentuada, e entrou em franca decadência” era uma verdade reconhecida e incontestável. Segundo o jornalista, 1926 marcou, indiscutivelmente, o declínio desportivo no meio vimaranense, a contracorrente do que se via acontecer por todo o lado:

Quando em toda-a-parte, no país como no estrangeiro, nos grandes centros como nas mais humildes terreolas, o sport avança e progride, embora à custa de sacrifícios por vezes bem pesados, Guimarães que teve também já um período de relativo progresso desportivo, recua, cede terreno, e entra numa fase regressiva inexplicável.

O autor apontava dois motivos principais para a situação a que se tinha chegado: “a apatia dos dirigentes desportivos e a falta de apoio e de auxílio da massa do público”, sendo que o primeiro motivo era a razão de ser do segundo (o desmazelo da Direcção do Vitória acarretou também, e em larga escala, o desinteresse, o arrefecimento, o desânimo da massa popular pelas coisas desportivas).

E era impiedoso em relação à actuação da direcção do clube:

No dia em que os dirigentes desportivos desta terra, que se encontram à frente da Direcção, encarem a sério e com vontade o seu papel de dirigentes e não de comparsas, trabalhando a valer e com ânimo, o sport em Guimarães tornará aos seus dias de esplendor.

Nada disto se tem feito, porém. Lamentámos até que criaturas tão respeitáveis como as que se encontram à frente daquele clube não reconheçam a triste e inglória figura que estão fazendo e que nada depõe em seu favor. Tendo por eles uma consideração ilimitada, esta não nos desobriga, antes pelo contrário, do dever que temos de falar a direito, por forma a que nos ouçam e atendam as reclamações e os queixumes daqueles que, como nós, não compreendem a razão deste marasmo, deste desmazelo desportivo em que se vai vivendo uma vida artificial, sem finalidade, sem grandeza.

A Direcção do Vitória tem o dever de trabalhar, e não de fingir que trabalha. Quem aceita cargos da natureza daqueles que os membros do Vitória aceitaram, sem coacções, antes por livre e espontânea vontade, ou trabalha a valer dando satisfação à confiança que outros neles depositaram e correspondendo ao compromisso moral que contraíram para com o Club ao aceitarem o encargo, ou então recolhem-se a casa, a tratar doutros assuntos em que sejam mais diligentes.

Na edição do Pro-Vimarane da primeira quinzena de Maio de 1927, o cronista desportivo, que assinava com o pseudónimo Luar, lançava um apelo: “abandonemos, pois, a inércia, a indolência, a preguiça, o sono — e mãos à obra. Vamos fazer saber de Norte a Sul, que Guimarães dentro em pouco, vai educar fisicamente os seus compatriotas”.

 

O último jogo no campo da Perdiz

Por aqueles dias, o Vitória recuperara a designação de Sport Club de Guimarães e era administrado por uma direcção provisória, que parecia empenhada em arrumar a casa, chegando a anunciar que tinha riscado de sócios todos os que tinham quotas atrasadas há mais de quatro meses, os quais seriam readmitidos se regularizassem a sua situação na Chapelaria Macedo até ao final do mês de Maio. Porém, nem os apelos ao despertar desportivo vimaranense, nem a acção dos directores do Vitória produziriam os efeitos desejados.

Outras causas eram apontadas para a decadência do futebol em Guimarães. Uma delas tinha a ver com a falta de organização e de disciplina dos jogadores do Vitória dentro das quatro linhas. Numa crónica de A. S. Lobo, publicada na Velha Guarda em Outubro de 1928, notava-se que a receita para o sucesso dentro do campo era a figura do capitão, “um homem a quem se obedece, para haver, em campo, ou fora dele, o máximo respeito. Porém, em Guimarães não era assim. Em vez de mandar um, mandavam todos. Da ausência de uma voz de comando que se fizesse ouvir e respeitar teria resultado a decadência do desporto favorito dos vimaranenses. O que faltava ao Vitória era a figura tutelar do treinador.

A direcção do Vitória Sport Clube tivera, a seu tempo, consciência dessa deficiência, tendo sido noticiado, em Março de 1927, que iria encetar negociações a fim de conseguir um entraineur experimentado para o seu clube. A notícia está no Ecos de Guimarães, com o seguinte comentário:

Há muito que esta necessidade se impõe. Havendo, como há, entre nós, rapazes de boa vontade, com indiscutíveis aptidões, chega a causar mágoa vê-los jogar sem uma orientação definida, à mercê do capricho de cada um. Creia a direcção do Vitória que o conseguir-se esse entraineur será o primeiro e mais seguro passo para o sport em Guimarães tornar a ter uma época de esplendor e de grandeza.

Porém, não seria ainda nessa altura que o Vitória encontraria o seu primeiro treinador. As tentativas de ressurgimento do clube desenvolvidas pela direcção do Vitória não tiveram qualquer sucesso. Longo seria o ocaso que se seguiria. Extinto o fulgor dos primeiros anos, Guimarães deixou de ter representante nos campeonatos distritais e o futebol foi-se apagando das páginas dos jornais da terra.

O último jogo no Campo da Perdiz de que temos notícia aconteceu no dia 19 de Fevereiro de 1928. Era Domingo Gordo, mas a assistência, o jogo desenvolvido e o resultado foram magros. Defrontaram-se, em desafio amigável, as primeiras equipas do Sport Clube de Guimarães e do Estrela Sport Clube, de Braga. A equipa vimaranense, que não pode contar com três dos seus melhores elementos (Constantino, Ferreira e Abílio), jogou remendada com reforços de Vizela, alinhando com Zeferino; F. Ribeiro e Benjamim (cap.); Mário, Fernandes e Costa; Salgado, M. Ribeiro, Oliveira, Silvério, Albano. O jornal O Conquistador publicou um curioso relato do jogo, onde avaliava a prestação das equipas. Sobre a performance dos vimaranenses, escreveu o cronista:

Zeferino nada teve de extraordinário; a bola que deixou entrar não tem desculpa possível. Chutada com pouca força, mergulhou tardiamente e de barriga para baixo, o que é um erro. F. Ribeiro, um elemento de Vizela que jogou aqui pela primeira vez, agradou plenamente no seu lugar de back. Benjamim bem no princípio, decaiu no final. Mário e Costa bem. O primeiro precisa de variar o seu jogo, não se limitando só a passar jogo à sua ponta. Para o final os de Braga já lhe conheciam essa maneira de jogar. Fernandes, fraco. Salgado bem, só com o defeito de jogar muito atrasado. M. Ribeiro, o melhor de todos os jogadores em campo. Oliveira, deslocado do seu lugar, não conseguiu brilhar. Silvério outro elemento de Vizela, fraco, muito fraco mesmo, fazendo-se notar só pela maneira como se coloca. Albano, mal.

 

Automobilismo, ciclismo e gincanas de jericos

Daí para a frente, só teremos notícia do Campo da Perdiz enquanto palco de torneios de tiro aos pombos que, com a nova moda das gincanas, as corridas de bicicletas e o automobilismo viriam preencher o espaço deixado vago pelos jogos de futebol nas tardes de domingo. Por aqueles dias, as gincanas na parada das novas instalações dos Bombeiros, recentemente inauguradas no Proposto, eram a coqueluche da moda no que toca a espectáculos desportivos. Com percursos e obstáculos cuidadosamente preparados, havia-as de automóveis, de bicicletas, de motocicletas, de patins e, até, de jericos. Funcionavam como meio de distracção pública e fonte de receita para a corporação dos Bombeiros Voluntários. A primeira gincana, para veículos automóveis, teve como vencedores Belmiro Jordão, na categoria masculina, e a sua irmã Júlia Jordão, na categoria feminina. Belmiro Jordão viria a destacar-se como piloto desportivo, o que levaria o jornal Velha Guarda a vaticinar, no seu número de 14 de Setembro de 1930, que o seu nome ficará gravado nos anais desportivos da nossa terra e marcará acentuadas honrarias para a velha Vimaranis”. Como curiosidade, registe-se que a primeira gincana de jericos de Guimarães aconteceu no dia 2 de Junho de 1929 e teve como vencedor um jumento montado por José Gilberto Pereira. Os restantes lugares no pódio foram ocupados por José António Martins Sequeira Braga e António Freitas.

No Outono de 1928, anunciou-se em Guimarães a fundação de um novo clube desportivo que nascia para despertar as energias mortas, colocando Guimarães, em matéria de desporto, a par das cidades congéneres. Ao dar a notícia, o Ecos de Guimarães de 3 de Novembro, testemunhava que devido à boa vontade que vemos pulsar no coração moço desses rapazes cheios de boa vontade e entusiasmo, que não se pouparão a sacrifícios para levarem por diante tão simpática iniciativa. Nascia o Grupo Desportivo Atlético Português, liderado por Humberto Guimarães Pinheiro. Quando se anunciava que procurava uma casa para instalar a sua sede, Rui Lencastre sugeria, nas páginas dos Ecos de Guimarães de 10 de Novembro de 1928, que a prioridade deveria ser outra: o primeiro passo a dar seria antes o arrendamento do campo de jogos da Perdiz, que é relativamente barato, e que está sem arrendatário desde há tempos pela liquidação infeliz do grupo desportivo existente nesta cidade. Note-se que, naquela altura, o Vitória era dado como “liquidado”.

O Grupo Desportivo Atlético Português encontraria a sua sede, mas não seguiria o conselho de Rui Lencastre, que afirmara que “não se pode compreender um grupo com esta finalidade sem um campo de jogos: é o mesmo que um corpo sem pernas, ou um livro sem folhas”. O Campo da Perdiz não seria arrendado e a esperança do ressurgimento do desporto em Guimarães, por obra desta agremiação, seria gorada. O Desportivo Atlético não seria mais que um fogo-fátuo: a única iniciativa que lhe conhecemos é a da festa da inauguração do retrato do seu presidente, descerrado na sua sede, com um copo-de-água e entre brindes entusiásticos, no dia 21 de Maio de 1929

Entretanto, o futebol voltara à sua anterior condição de divertimento do rapazio. Durante anos, as únicas notícias sobre o ludopédio que encontrámos nos jornais vimaranenses são pequenas notas de protesto contra grupos de rapazes acusados de perturbarem o sossego público com jogos de futebol, ora no Toural, ora noutros largos da cidade. Coisa de mariolões, a quem o trabalho não enobrece, como um dia se leu nas páginas do Comércio de Guimarães. A partida de Bernardino Faria Martins para o Congo Belga, em finais de 1928, para se dedicar à carreira comercial, também ajuda a explicar o apagamento do futebol das páginas dos nossos jornais. Assinando na crónica desportiva com o pseudónimo Sérgio Vidal, tinha sido, desde 1922, um dos principais promotores da causa do desporto, em geral, e do futebol, em particular, em terras de Guimarães.

 

Ressurgimento no Benlhevai

1932 seria o ano do renascimento do futebol em Guimarães. Em meados de Janeiro, a recém-criada Sociedade de Defesa e Propaganda de Guimarães, dirigiu à Comissão Administrativa da Câmara Municipal um documento, subscrita por várias instituições culturais, desportivas e de ensino, em que se demonstrava a conveniência da criação de um campo destinado ao desenvolvimento dos desportos, reputados úteis à educação física da juventude. A localização sugerida era a do Campo do Salvador, que nós hoje conhecemos por Campo de S. Mamede, não implicando mais do que pequenas obras de adaptação (uma ligeira terraplanagem e o levantamento de um parapeito, pouco mais que à altura do solo, marginando a estrada). O aparelhamento do campo, que o dotaria de balneário, vestiário, mictórios e bancadas, ficaria a cargo de uma empresa que nasceria para o efeito. Assim se criariam condições adequadas à prática de diferentes modalidades desportivas, ao mesmo tempo que se daria aos referidos terrenos uma aplicação inteligente, tirando-lhe aquele ar tão destoantemente maninho que oferecem, dada a sua incorporação nas balizas da cidade.

 

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No entanto, por aqueles dias já algo se movia em Guimarães. O Vitória Sport Clube, renascia das cinzas. A sua direcção, constituída por meia dúzia de rapazes que, segundo o recém-nascido Notícias de Guimarães, não nadavam em dinheiro, tendo em Carlos Machado o principal impulsionador, metia mãos a um grande empreendimento, e dotava Guimarães com um campo de jogos apto para a prática de várias modalidades desportivas. Situava-se dentro da cidade, a curta distância do Toural, num terreno arrendado entre a Casa do Proposto e a Escola Industrial, e seria o palco da recomposição do Vitória Sport Clube enquanto elemento central a identidade vimaranense. Esse seria o palco do ressurgimento do Vitória, que aí iria celebrar uma impressionante série de títulos de campeão distrital e tornar-se no primeiro representante do Minho no campeonato nacional de futebol.

O desafio inaugural do campo do Benlhevai aconteceu na tarde de 24 de Janeiro de 1932, sendo apadrinhado pelo Sport Comércio e Salgueiros, do Porto, e abrilhantado pela Banda da Oficina de S. José. O pontapé de saída simbólico, testemunhado por uma multidão de três mil espectadores entusiastas, foi desferido pela menina Crisanta Moura Machado. Das incidências do jogo encontrámos relato detalhado no Notícias de Guimarães. O Vitória alinhou com Adélio; Benjamim e Manuel Rita; Armando, Mário e António; Antunes, Velha, Constantino Lameiras, Camilo e Virgílio. Para a história ficou um resultado desequilibrado: Vitória, 1 – Salgueiros, 6. Apesar do desfecho desfavorável ao clube da terra, o desafio terminaria no meio da geral satisfação do público. Havia motivo para celebração: o futebol estava de regresso a Guimarães.

Dali para a frente, praticamente não haveria domingo sem futebol. Até ao final de 1932, o Vitória disputou quarenta jogos, 32 no Benlhevai, 8 fora de portas. Averbou 17 vitórias, 14 derrotas e 9 empates, marcou 75 golos e encaixou 85. Começava a ganhar balanço para o grande salto em frente que estava para acontecer.

No final da época futebolística de 1931-1932 (que, em Guimarães, foi pouco mais do que meia época, uma vez que tinha começado a 24 de Janeiro), o comentador desportivo de O Comércio de Guimarães, Francisco Formiga, fez o seu balanço dos 29 jogos realizados até 30 de Junho, produzindo estatísticas muito curiosas.

Embora a época de foot-ball fosse um pouco curta, motivada pelo pouco tempo que aqui o sport produz, não deixou de ser verdadeiramente interessante, escreveu o comentador. O Vitória realizou 21 jogos em Guimarães e 4 fora, contando 9 vitórias, 3 empates e 9 derrotas em casa e 2 vitórias, 1 empate e 1 derrota fora, contando-se 53 golos marcados e 2 sofridos. Por aqueles dias, o avançado Constantino Lameiras era o artilheiro mais eficaz da equipa, tendo marcado 29 golos, mais de metade dos golos somados pelo Vitória.

Mas o número mais revelador que ressalta da estatística do Comércio de Guimarães refere-se ao número de jogadores utilizados, que o cronista revela, com alguma ironia de permeio:

O Vitória desta cidade, embora durante a época tivesse conseguido resultados lisonjeiros para o seu nome e para a sua região, também alcançou um record brilhantíssimo, que, no meu entender, não pode ser igualado por qualquer Clube português, pois durante a época finda conseguiu que alinhasse pela sua primeira categoria 40 jogadores!

Eis o rol dos jogadores que alinharam pelo Vitória entre Janeiro e Junho de 1932: Ricoca, Elísio, Tintalão, Benjamim, Manecas, Martinho, Zeca Gaiteiro, Machado Reu; Médios: André, Cunha, A. Secândido, Constantino Lameiras, Mário, Hernâni, Mateiro, António Freitas, Camilo, Virgílio, Chico, Ferreira Labita, Neca Machado, Zeca das Taipas, Faria, Rita, Pina, Velha, Costa, Macedo, Queirós, Armindo, Elísio Carvalho, António Adelaide, Pantaleão, S. Braz, Paredes, Almeida Santos, Camisseiro, Sampaio, Fouces e Pepe. Para que se perceba a verdadeira dimensão deste número, convirá recordar que naquele tempo ainda não havia lugar a substituições durante os jogos de futebol, sendo as equipas constituídas por não mais do que os onze elementos que entravam em campo no início de cada jogo.

Segundo a contabilidade do cronista de O Comércio de Guimarães¸ naquele meio ano o Vitória nunca repetiu a mesma equipa, tendo alinhado com o seu equipamento alvinegro nada mais de 3 guarda-redes, 6 defesas, 9 médios e 22 avançados, o que daria para formar três “teams” com idêntico valor. Esta inconstância era reveladora de que ainda resistia um dos obstáculos que estiveram na base do longo ocaso do Vitória, que se estendeu entre 1927 e 1932: a ausência de uma voz de comando com força e conhecimentos suficientes para se fazer respeitar. O Vitória ainda não encontrara a figura do treinador.

Concluía o jornalista:

Diante do Vitória vejo um futuro que, não só o honrando, honrará a terra de Afonso Henriques. Mas, para isso é preciso que sejam eliminadas algumas deficiências.

 

Futebol e identidade local

Por aqueles dias, ia em crescendo o entusiasmo com o futebol. O campeonato de Portugal foi particularmente renhido e a final, realizada a 3 de Julho, entre o Belenenses e o Futebol Clube do Porto, terminou com um empate a quatro bolas. Houve necessidade de uma finalíssima, que aconteceria duas semanas depois, em Coimbra. Este jogo, mais do que um encontro entre duas equipas de futebol, uma do Porto, outra de Lisboa, foi assumido como um confronto entre o Norte e o Sul do país. E as terras do Norte estavam do lado do F. C. Porto. De Guimarães partiram muitas dezenas de aficionados, boa parte deles numa camioneta alugada, representando a sua cidade numa vibrante manifestação de apoio aos representantes da sua região. Entusiastas, defensores acérrimos do Porto, que o mesmo é que dizer do Norte, eles lá foram levar-lhes com a sua presença e entusiasmo, o apoio moral que encoraja e torna heróis os mais pusilânimes, noticiava O Comércio de Guimarães. Segundo as notícias, naquele dia em Guimarães viveram-se horas de ansiedade, aguardando por notícias, que chegariam por telegrama, desencadeando manifestações de regozijo e entusiasmo. O Futebol Clube do Porto vencera o campeonato de Portugal, derrotando o Belenenses por 2-1.

Os jogos de futebol começavam a afirmar-se como algo mais do que simples disputas desportivas, para se tornarem também em manifestações de afirmação local e regional.

A componente “patriótica” dos desafios de futebol viria ao de cima quando, menos de dois meses depois, o Vitória enfrentou o Futebol Clube do Porto pela primeira vez. O jogo foi marcado para 11 de Setembro e teve lugar no parque das Fontainhas, na Vila das Aves. Gerou grande mobilização entre os vimaranenses, a ponto de se organizarem comboios especiais entre as estações de Guimarães e de Negrelos. Dizem os relatos dos jornais locais que o jogo se pautou por certo equilíbrio, e que o Vitória acabaria vencido pela sorte e pela arbitragem. O cronista de O Comércio de Guimarães confidenciaria: cheguei a ter a impressão que o Vitória iria regressar à sua fidalga cidade como vencedor, visto o seu esplêndido jogo nos primeiros 20 minutos. Mas essa impressão não se confirmou e os de “calções de seda” venceram com um contundente score de sete bolas sem resposta.

Este jogo faria correr alguma tinta nos jornais vimaranenses, não tanto pelo resultado, mas pelo comportamento de parte dos espectadores vimaranenses, que cuidaram mais  de apoiar o adversário do que o clube da sua terra. O cronista F. Formiga lavrou o seu protesto contra esta atitude, notando que se é certo que quando da luta “pró campeonato” o Norte se uniu para apoiar o F. C. do Porto, é porque nessa altura ele era o legítimo representante do Norte, e hoje era nosso inimigo, e que que do apoio de todos os seus conterrâneos dependia uma parte da vitória, que encheria de honra a terra de Afonso Henriques. Era o futebol a afirmar-se como esteio fundamental da identidade local. Já não era só o virtuosismo dos jogadores e a qualidade do jogo de equipa que entrava em campo em cada jogo de futebol. Era também a honra e a glória de toda uma cidade.

 

O primeiro clube “da província”

O processo de reconstrução do Vitória e da sua afirmação como o principal clube da província não estaria isento de acidentes. Faltava-lhe, além de treinador, estabilidade directiva. O mais activo dos membros da sua comissão administrativa na construção do campo do Benlhevai, Carlos Machado, afastara-se e, com António Andrade, fundara um novo clube, o Sporting Clube de Guimarães, que teria uma existência efémera. O seu baptismo em campo aconteceu em Esposende, no dia 30 de Julho de 1932. Para a pequena história ficou um resultado volumoso: o Sporting vimaranense foi derrotado pelo clube da casa por 16-1 e, ao que parece, por aí se ficou.

Em Outubro de 1932 foi designada uma nova comissão administrativa do Vitória, presidida por Heitor da Silva Campos, de que faziam parte Isaías Vieira de Castro, Francisco Pinto Rodrigues, Amadeu da Costa Carvalho e Eduardo Pereira do Santos. Heitor Campos, que tinha sido presidente do Atlético Sport Clube, seria o responsável pela estabilidade do clube e pela sua caminhada ascendente nos tempos que se seguiriam. Não foi por acaso que os responsáveis pelo Suplemento Desportivo do Notícias de Guimarães o homenagearam logo no seu primeiro número, de 27 de Novembro de 1932, apelidando-o de salvador do Vitória Sport Clube.

A bem da justiça, tal título deveria ser repartido com Carlos Machado e com outros vimaranenses de condição humilde. Foi graças ao seu esforço e ao seu sacrifício que Guimarães voltou a ter condições para a prática de futebol de competição, com a instalação do campo do Benlhevai. Criadas essas condições, o passo seguinte seria a recomposição institucional do Vitória, dotando-o duma estrutura organizativa que lhe permitisse afirmar-se no contexto desportivo regional e nacional. Este processo seria tomado em mãos por personalidades oriundas de uma certa elite social vimaranense que então acompanharam Heitor Campos.

Para que o Vitória funcionasse como uma verdadeira equipa, faltava-lhe um capitão-geral que fosse escutado e se fizesse respeitar pelos jogadores. Em Novembro, Eduardo M. Cunha, que na crónica desportiva assinava com o pseudónimo de Unhaca, lembrava à comissão Administrativa do Vitória a necessidade absoluta de um entraineur, porque só assim poderá existir nesta cidade, um forte núcleo de futebol, que poderá defender galhardamente não só as cores do V. S. C., como também desportivamente, o bom nome desta linda, velha e nobre cidade de Guimarães. Era um treinador que faltava ao Vitória, para que pudesse enfrentar de igual para igual com as equipas de Lisboa e do Porto e afirmar-se como o primeiro entre os clubes de província. 1932 não chegaria ao fim sem que esta lacuna fosse preenchida, com a contratação de Genecy, o primeiro dos treinadores de origem húngara que fariam história no principal clube de Guimarães.

Depois, foi o que se viu. O Vitória entrou num processo imparável de afirmação regional e nacional. Logo na época de 1933-1934, retomava a sua participação em competições oficiais e quebrava a hegemonia do Sporting de Braga, conquistando o seu primeiro título de campeão distrital. Enquanto se disputou este campeonato, o Vitória ainda o venceria onze vezes, em treze possíveis. Em 1941, entrou para a História como o primeiro clube do Minho a competir no campeonato nacional de futebol. Com o tempo, iria consumar o destino que lhe estava traçado desde o início, tornando-se no clube de fora de Lisboa e do Porto com mais participações no campeonato maior do futebol nacional. O primeiro entre os clubes “de província”. Cumpriu-se o sonho dos homens da fundação de 1922 e do ressurgimento de 1932.

 

António Amaro das Neves

 

(publicado na revista Mais Guimarães - pág.35-39)



publicado por Miguel Salazar às 18:20
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015
A longa travessia do deserto...

(em 1927, o Vitória quase desapareceu do mapa futebolístico nacional; só ao fim de 5 longos anos, um grupo de resistentes conseguiu fazer renascer o clube para uma existência gloriosa; em 1932, terminava... A longa travessia do deserto...)

 

A longa travessia do deserto

 

Carlos Machado - 1932! Conseguimos, Senhor Campos!
 
Heitor Silva Campos - Tome nota do que lhe vou dizer, ó Machado: bem vai correr a vida sportiva ao nosso Victoria, agora que conseguimos sobreviver a estes cinco anos de travessia do deserto.
 
Carlos Machado - De facto, bem vai correr a vida sportiva ao nosso club. Não poderia eu estar mais de acordo com Vossa Excelência. Bem-lhe-vai... correr a vida...
 
Heitor Silva Campos - C'os diabos! O que não me o...corre, é um nome p'ró campo que você vai construir...


publicado por Miguel Salazar às 20:11
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015
o Ferrari e o “2 Cavalos”...

 

20150805 Corrida Automóveis.jpg

 

A época passada foi assim!

Em boa verdade tem sido sempre assim, nestes últimos tempos.

luta pela conquista dos mais recentes títulos nacionais de basquetebol, faz-me recordar as provas-Raínha das velhas corridas de automóveis dos anos 70. Nos Grupos 2, 3, 4 e 5 competiam conjuntamente, como se algum dia fossem sequer comparáveis, os mais modestos Datsuns 240Z, Mini-Coopers S e até Volkswagens “carocha” 1600... com os fabulosos Lolas T292, Porsches Carrera 6, Chevrolets Camaro e DeTomasos Pantera. Eram corridas completamente assimétricas e desequilibradas.

Se o nosso basquetebol fosse uma dessas corridas de automóveis, as competições destes últimos anos poderiam muito bem ser um Grupo 2, 3, 4... e 555, onde o Vitória disporia de um velho Citroën 2 Cavalos, em 2ª ou 3ª mão, e o Benfica de um Ferrari F430 Spider, novinho em folha, que só caberia mesmo num grupo 555.

É verdade !

Uns com um Ferrari... e nós com um velhinho Citroën 2 Cavalos...

Felizmente, seja lá qual for a competição automobilística que se esteja a considerar, o valor de uma equipa nunca se limita apenas à valia dos seus carros. Quando se dispõe de equipas de mecânicos que transfiguram motores, fazendo o milagre da multiplicação dos cavalos, e de pilotos que fazem de cada milímetro de alcatrão de cada competição, uma questão de vida-ou-morte, todos os sonhos são possíveis mesmo àqueles que têm os carros mais modestos.

E é exactamente por tudo isto que, apesar de a uns lhes ser dado quase tudo e aos outros quase nada, cada vez estamos mais perto do dia em que o nosso velho Citroën 2 Cavalos, em 2ª ou 3ª mão, há-de conquistar um Campeonato àquele fabuloso Ferrari...

 

Miguel Salazar

 

(cartoon publicado no blogue Depois Falamos)



publicado por Miguel Salazar às 12:15
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2015
Basquetebol Corre Corre, 2ª feira às 20h30m...

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da esquerda para direita:

Pedro Guerreiro (Presidente da Secção), Fernando Sá (treinador da equipa masculina),

Tam Ling (treinador da equipa feminina), Ana Oliveira (atleta) e Paulo Cunha (atleta)

 

A secção de Basquetebol do Vitória vai apresentar, na próxima 2ª feira, as suas equipas séniores, masculina e feminina, para a época de 2015/2016.

Apesar de lutar contra todos os constrangimentos financeiros, que são cada vez maiores, a secção apresenta duas equipas muito fortes, que nos irão permitir lutar seguramente pelos objectivos máximos das respectivas competições...

No sentido de promover a aproximação dos seus atletas aos Vimaranenses em geral, e aos Vitorianos em particular, os seus atletas irão participar na edição do Guimarães Corre Corre da próxima semana.

A secção de Basquetebol do Vitória espera por todos nós na Plataforma das Artes, dia 14 de Setembro, pelas 20h30m, esperando também que possamos retribuir-lhes, dando o nosso apoio no Pavilhão, quando ambas as equipas realizarem os seus jogos em Guimarães...



publicado por Miguel Salazar às 16:07
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2015
o Twister, em 1922...

Em Guimarães, em Setembro e Outubro de 1922, era assim que o senhor António Macedo Guimarães poderia ter jogado o Twister, não fosse o facto de o jogo só vir a ser inventado 44 anos depois.

20150904 Twister António Macedo Guimarães.png

 

Aqui nasceu o Vitória Sport Club

 

As fontes e os testemunhos disponíveis não deixam margens para grandes dúvidas quanto ao local de nascimento do Vitória Sport Clube. O clube foi fundado na loja do seu primeiro presidente, António Macedo Guimarães, a Chapelaria Macedo, com porta aberta em parte do edifício actualmente ocupado pelo Café Milenário, ali bem perto da Torre da Alfândega, onde está afixada a inscrição “Aqui nasceu Portugal”. Já quanto à data, a situação é mais problemática. Não se ignora que está oficialmente assumido o dia 22 de Setembro de 1922, mas até hoje não encontrámos nenhum documento, testemunho ou indício que permita confirmar essa data.

No passado, o Vitória não tinha por tradição celebrar os seu aniversários. Pelos programas das festas com que se assinalaram as bodas de prata, em 1947, e as bodas de ouro, em 1972, percebemos que existia uma ideia quando à altura em que o clube foi fundado, mas não quanto ao dia em que aconteceu. No primeiro caso, os actos festivos decorreram de 11 a 20 de Outubro, no segundo entre 30 de Setembro e 16 de Outubro. Em 1962 assinalaram-se os 40 anos durante o mês de Setembro. Desde então, até 1980, temos notícia de celebrações em seis anos diferentes. Aconteceram sempre em Outubro, mas sem data certa. É manifesto que naquelas alturas não havia informação que permitisse precisar uma data. Aliás, naqueles tempos persistiam muitas lacunas no conhecimento da história dos primeiros anos do Vitória, que podemos ilustrar com um exemplo retirado das comemorações de 1962: o programa que então se cumpriu incluiu uma cerimónia junto à sepultura de Afonso da Costa Guimarães, que apareceu identificado erroneamente como o primeiro presidente da Direcção (foi o segundo).

Se nas décadas de 1940, 1960 ou 1970 não se guardava a memória da fundação do Vitória, é pouco plausível que alguém a recordasse depois, pelo que haverá que procurar para trás. Da informação disponível, apenas tinha alguma solidez a indicação de que a fundação teria acontecido na tertúlia que António Macedo Guimarães costumava reunir na sua loja em dia de descanso. Portanto, o Vitória terá nascido num domingo ou num feriado.

Recuando no tempo, sabemos que em 1934, quando o Vitória recuperava vitalidade e ressurgia de um longo período de hibernação que pareceu prenunciar a sua extinção, não faltaram motivos para celebrar, até porque o clube acabava de conquistar o seu primeiro título de campeão distrital. Houve então comemorações do XII aniversário, com actos festivos que aconteceram nos dia 21 e 23 de Setembro (note-se que nada houve no dia 22). Um jogo entre o Vitória e o Galitos de Aveiro (5-0) encerrou os festejos. No programa divulgado pela imprensa, afirmava-se que naquele domingo, 23 de Setembro de 1934, passavam doze anos sobre o dia em que o Vitória iniciou a sua vida. Consultando o calendário, percebe-se que em 1922 aquele dia calhou num sábado, o que torna muito pouco plausível a hipótese de o Vitória ter nascido nesse dia na Chapelaria Macedo. Porque sábado era dia de feira, em que as gentes das freguesias vinham à cidade, a comprar e a vender. E dia de feira era dia de trabalho acrescido nas lojas, incluindo as chapelarias. Basta olhar para uma fotografia dos anos vinte do século passado para se perceber que os chapéus eram artigos com muita saída…

No ano anterior, a direcção do Vitória assinalara o aniversário, com a inauguração da nova sede do clube no Toural, por cima do então Café Oriental, e com um jogo de futebol contra o Sport Club de Ponte do Lima, que o Vitória venceu por 3-2. Aconteceu no dia 8 de Outubro de 1933.

Será preciso recuar até 1924 para encontrarmos a primeira vez em que o Vitória Sport Club comemorou o seu aniversário. A informação aparece em quatro linhas do jornal A Razão, de 28 de Setembro desse ano, onde se lê:

Na Penha realiza-se, no próximo domingo, um jantar de confraternização para comemorar o 2.º aniversário da fundação do “Vitória Sport Club” com um jantar de confraternização na Penha, no dia 5 de Outubro.

Como, naquela altura, entre os dirigentes do clube ainda estavam os que o fundaram e sendo certo que ninguém conheceria melhor do que eles a data da fundação, fazemos fé, à falta de certidão de nascimento, no dia 5 de Outubro de 1922 como dia da criação do Vitória Sport Clube. É certo que foi a uma quinta-feira e não a um domingo. Mas ninguém ignorará que o 5 de Outubro era feriado, o que vem a dar no mesmo: foi dia santo na loja do senhor Macedo.

Aqui chegados, temos duas datas possíveis: 23 de Setembro, informação de 1934, e 5 de Outubro, indicação de 1924. Tendo como certa a informação, universalmente aceite, de que o Vitória foi fundado pelo grupo da Chapelaria Macedo, 23 de Setembro, pelo que se viu, será data a descartar, por pouco verosímil. Fica a sobrar 5 de Outubro, por ser feriado, por ser a informação com origem temporal mais próxima da data do acontecimento e, pormenor não de somenos, por ter sido o dia em que os fundadores do clube assinalaram a efeméride, em 1924. Além do mais, esta hipótese encaixa na tradição recorrente dos festejos vitorianos em Outubro (ver quadro).

Há uma outra possibilidade, que se nos afigura a mais provável: a de que o processo de criação do Vitória teria resultado de uma ideia que germinou, cresceu e frutificou entre o final do Verão e o início do Outono de 1922, sem que seja possível fixar uma data de fundação precisa. Ou seja, a confirmar-se esta incerta certeza, sabemos quando nasceu o Vitória, mas não sabemos, nem saberemos nunca, o dia do seu nascimento.

Aqui chegados, fica por resolver o problema da efeméride. Em que dia é que os vitorianos devem festejar o aniversário do seu clube? Na ausência de data segura, haverá que encontrar um momento que se imponha pelo seu simbolismo. A não ser que se demonstre que foi noutro dia, somos de opinião de que 5 de Outubro de 1922 deveria ser assumido como dia da fundação do Vitória Sport Clube, porque foi esse o dia em que os fundadores celebraram a fundação.

De qualquer modo, independentemente do pormenor da data, já muito tarda o dia em que será afixada na frontaria do edifício da antiga Chapelaria Macedo uma inscrição singela que assinale o acontecimento:

AQUI NASCEU O VITÓRIA.

 

António Amaro das Neves

 

(publicado na revista Mais Guimarães - pág.41 e 42)



publicado por Miguel Salazar às 11:33
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015
O Vitória, no tempo do foot-ball (1922-1927)...

 

Se fosse possível imaginar a relevância que o futebol viria ter na sociedade contemporânea, quando em Guimarães se começaram a dar os primeiros pontapés na bola, os pioneiros teriam tratado de preservar as memórias desses dias. Mas não houve tal premonição, de onde resulta que os primórdios do futebol numa terra como Guimarães permanecessem na obscuridade. Hélder Rocha, primeiro, e Santos Simões, depois, escreveram que a introdução do futebol em Guimarães teria sido obra dos técnicos ingleses que se instalaram em Guimarães aquando do arranque industrial do final do século XIX. Faz todo o sentido. Porém, não conseguimos encontrar documentos que nos conduzam até esses tempos iniciais. As mais antigas referências documentadas ao futebol em Guimarães que se conhecem são já da segunda década do século XX.

Por aqueles tempos, o futebol andava longe de ser um desporto popular entre os vimaranenses. Essa condição estava então reservada para modalidades como o tiro aos pombos, as corridas de cavalos, o pedestrianismo (marchas atléticas) e, em primeiro lugar o ciclismo. O foot-ball association, pela sua dimensão colectiva, era considerado demasiado complexo (no primeiro número da revista Os Sports Ilustrados, de Junho de 1910, avisava-se que o foot-ball era jogo dificílimo). A década de 1910 constituirá um período de aprendizagem em que as regras do pontapé na bola vão sendo descodificadas e o futebol se vai afirmando como uma modalidade desportiva que mobiliza estratégia, técnica, arte e manha. Este processo de aprendizagem e maturação estendeu-se até ao início da década de 1920, tempo em que os clubes de futebol começaram a brotar por todo o lado, como cogumelos. Assim foi também em Guimarães.

Naqueles dias, o futebol estava ainda em fase de enraizamento em Portugal. À luz das mentalidade conservadora da época, era coisa de rapazes. Não muito recomendável a gente séria, portanto. Nos jornais, ocupava, quando ocupava, escassas linhas. A terminologia específica do jogo ainda não encontrara tradução em português: team, corner, penalty, shoot (de onde se aportuguesou o verbo shootar) eram expressões correntes. O objectivo era marcar goals, o resultado era o score. O jogo chamava-se foot-ball (a palavra portuguesa, futebol, seria consagrada na década de 1930). As equipas organizavam-se num sistema rígido: um keeper, dois backs, três halfs e cinco forwards. Jogavam em 2-3-5, diríamos hoje. Não tinham entraineur: as funções de treinador eram desempenhadas dentro do campo pelo captain, por vezes com uma exuberância para lá do recomendável. Os jogos eram arbitrados por referees que, regra geral, eram afectos a uma das equipas em confronto. Não havia bandeirinhas, mas havia liners e não faltavam acusações de parcialidade dos juízes. Não havia lugar a substituições durante jogo, que tinha muito de confronto físico. Por regra, eram tidas por mais eficazes as equipas constituídas por jogadores fortes. Muitas vezes, os jogos não terminavam sem desacatos. Outras, nem sequer terminavam. E, aí, o público não regateava o seu contributo.

 

O futebol em Guimarães

A primeira referência documentada ao futebol em Guimarães aparece num anúncio datado de 12 de Março de 1913, mandado publicar nos jornais da terra pelo capitão do 2.º team do Foot-ball Grupo Vimaranense, a convocar os jogadores para um jogo com o 1.º team, que aconteceria no dia 16 daquele mês. Mas é seguro afirmar-se que em 1912 existiam já dois teams de foot-ball, compostos de alguns dos rapazes mais estimados desta terra, como testemunhará em 1926 o jornalista e dirigente desportivo Bernardino Faria Martins, na crónica desportiva no jornal Ecos de Guimarães, que assinava com o pseudónimo de Sérgio Vidal. Ao longo da década encontrámos referências esparsas a jogos de futebol no “Campo” da Atouguia, nomeadamente entre equipas de estudantes do Colégio Académico (que funcionava na Casa dos Coutos, à Misericórdia) e do Internato Municipal (que partilhava o convento de Santa Clara com o Liceu e a Escola Industrial). Estas escolas tinham várias equipas de futebol (no final de Março de 1914 o 3.º team do Internato Municipal levou de vencida o 2.º da Escola Académica). No final da década, existia em Guimarães o Sporting (ou Sport) Club Académico que, apesar da escassez de informação disponível, se presume formado por alunos do Liceu. Certo é que o futebol tinha muitos praticantes entre os estudantes liceais, tendo alguns deles dado contributos fundamentais para a afirmação do futebol em Guimarães.

Quando, na época de 1921-1922, arrancou o primeiro campeonato nacional, envolvendo apenas equipas das associações de futebol de Lisboa e do Porto, na imprensa vimaranense olhava-se em volta e percebia-se o atraso de Guimarães em matéria desportiva. Não havia um clube a que se pudesse dar esse nome, não existia um campo de jogos com um mínimo de condições para a prática de futebol de competição. O desporto continuava a ser olhado com desdém. Rapaziadas, rabujava-se. Todavia, por aqueles dias, já o futebol tinha conquistado as ruas e as praças da cidade e, pelos terrenos fronteiros ao cemitério da Atouguia, espalhavam-se vários campos de futebol com jogos simultâneos, como se percebe pelas queixas recorrentes nas páginas dos jornais da terra contra o garotio que jogava a bola nos terreiros e calçadas da cidade e contra o atentado à dignidade dos mortos e dos vivos resultante dos jogos nas imediações do cemitério. No entanto, num tempo em que em Portugal o futebol se ia transformando num espectáculo de massas, à imagem do que sucedia na Europa e na América daqueles dias, saltava aos olhos o atraso em que nessa matéria Guimarães se encontrava. Atraso que sobressaía ainda mais quando se percebiam os progressos que aconteciam em terras vizinhas, especialmente em Braga, onde em 1921 tinha sido fundado um clube, com o nome de Sporting e que equipava à Benfica, que se ia tornando hegemónico no distrito. Era preciso fazer alguma coisa.

Por esses dias, um grupo de rapazes disposto a retirar Guimarães da pressão de um indiferentismo imperdoável dos que alguma coisa podendo ser de útil, nada têm feito, lança um jornal com um programa de progresso e melhoramentos para a cidade. Era o Pro Vimarane que, logo no seu primeiro número, publicado na primeira quinzena de Junho de 1922, dizia ao que vinha, apresentando um conjunto de ideias para a modernização da cidade. Em matéria de desporto, partia duma constatação (não há, por esse país fora, cidade nem vila que não tenha o seu grupo desportivo) para uma pergunta: porque o não temos nós?

No seu terceiro número, o Pro Vimarane inovava na história da imprensa periódica vimaranense, ao criar uma secção desportiva, Sport, assinada por Sérgio Vidal. E logo ali se anunciava que um pequeno grupo de vontades da nossa terra, trabalha afincadamente na organização de um Club Desportivo, que abranja todos os possíveis ramos de Sport, para o que procura já um campo apropriado. O desafio lançado no primeiro número não ficara sem resposta.

 

Nasce o Vitória Sport Clube

Num tempo em que não havia rádio nem televisão e em que as notícias chegavam pelos jornais, as novidades sabiam-se e discutiam-se nas tertúlias informais que funcionavam nos cafés, nas lojas e até nas farmácias. No Toural, o lugar onde quase tudo se decidia em Guimarães, coexistiam várias dessas tertúlias, em geral vocacionadas para a discussões políticas. Uma delas era versada em futebol. Acontecia na Chapelaria Macedo, então de portas abertas no mesmo edifício onde hoje está o Café Milenário. O seu proprietário, António Macedo Guimarães, entusiasta e profundo conhecedor das artes do pontapé na bola, tinha-se tornado no mentor dos jovens que se interessavam por aquele desporto dificílimo. Conta-se que, em dias de loja fechada, domingos e feriados, muitas vezes à volta de petiscos, ali se reunia um grupo que conversava sobre futebol e escutava os ensinamentos do senhor Macedo. Diz quem tem memória para o dizer, que o berço do Victoria Sport Club foi a Chapelaria Macedo. O chapeleiro seria o seu primeiro presidente.

Não sabemos como foi constituída a primeira direcção ou comissão instaladora do Vitória, mas é sabido que cooperaram com António Macedo Guimarães no lançamento do clube o então alferes José Vieira Campos de Carvalho, Luís Filipe Gonçalves Coelho, António Emílio Pereira de Macedo, Luís Gonzaga Leite e Avelino Augusto de Araújo Dantas. A primeira notícia da existência do Vitória Sport Clube apareceu no jornal Ecos de Guimarães do dia 17 de Dezembro de 1917, que anunciava:

Realiza-se hoje, pelas 14 horas, no Campo da Atouguia, um “match” entre o “Vitória Sport Club de Guimarães” e o “Maçarico Sport Club” da Póvoa de Varzim que segundo se diz promete ser interessante.

Naquele domingo, a expectativa era grande. O público acorreu em grande número à Atouguia. Porém, em vez do anunciado Maçarico poveiro, apareceu uma selecção de jogadores de todos os clubes da Póvoa de Varzim, que o Ecos de Guimarães descreveria como muito estropiada. Poderia ser, mas venceu o jogo por 4-1.

Até ao mês de Abril de 1923, o Vitória disputaria quatro jogos, com o Académico Foot-Ball Club, de Guimarães, com a equipa do Regimento de Infantaria 20, com o Sporting Club de Braga, com uma Selecção Vimaranense. O saldo seria pouco animador: três derrotas, um empate.

A primeira vitória aconteceria no dia 27 de Maio de 1923. Para esse dia estava previsto um jogo com o Grupo Excursionista do Boavista Foot-ball Club, do Porto, que não compareceu. Em seu lugar, o Vitória recebeu o “Onze Vermelho” do Sporting de Braga e o resultado seria uma copioso 7-1. O clube de Guimarães apresentou-se com uma equipa formada por Mário; Pimentel e Pontes; António, Evaristo e Pereira; Costa, Belmiro, Artur, Adriano e Mendes Martins. Artur, que marcou cinco golos, foi considerado o melhor jogador em campo. Os restantes golos do Vitória saíram dos pés de Adriano. O árbitro foi o fundador do clube vimaranense, António Macedo Guimarães.

 

ARREDA !

(do Campo da Atouguia)

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- Arreda, rapaziada! Deixae-nos dormir em paz.

- Arreda tu tambem, braguez d’um rayo. Se queres morrer, vae morrer p’rá tua terra...

 

 

Ponte sem rio, sé sem bispo, Vitória sem campo…

Guimarães já tinha o clube que lhe faltava. Mas o Vitória não seria o único. Por aqueles dias, quase não havia mês em que não aparecesse um novo grupo desportivo: o grupo do RI 20, o Académico, a Escola Académica, o Colégio Académico, o União, o Alegria, o Atlético, o Vasco da Gama, os Caçadores das Taipas e, em Vizela, o Portuguesito, o Estrela, o Sport. Como dizem as nossas gentes, não há fome que não traga fartura.

Em Guimarães havia entusiasmo à volta do futebol, havia clubes, havia equipas, havia público entusiasta. Mas persistia uma dificuldade paralisante: faltava um recinto adequado à sua prática. O vasto terreiro fronteiro ao cemitério municipal, usado como campo de futebol há mais de uma década, não era seguramente o sítio mais propício para encontros ruidosos, festivos e, tantas vezes, turbulentos, como costumavam ser os desafios de futebol. Na imprensa, as queixas repetiam-se. Que deixassem dormir os mortos. O Campo do Salvador (hoje de S. Mamede), no Cano, chegou a ser aventado como alternativa, mas nunca passou de hipótese.

O jornal republicano A Razão, um dos que mais alto se ergueram em defesa da causa do desporto em Guimarães, avançou, num dos seus primeiros números, de 13 de Fevereiro de 1923, com uma ideia engenhosa:

Estão para breve as festas da cidade. Porque não serão elas abrilhantadas, como em quase toda a parte, com um concurso hípico? Não seria um divertimento interessantíssimo e que chamaria à nossa terra, muitos e muitos forasteiros? E o recinto onde se desse este concurso hípico, não se poderia facilmente transformar num belo campo de jogos?

A sugestão, que fazia todo o sentido, por se inspirar na tradição das antigas feiras de S. Gualter, especializadas em gado cavalar, seria assumida pela organização das Gualterianas desse ano. Para a sua concretização foi preparado um espaço adequado, situado ao cimo dos Palheiros, que homenagearia um distinto sportman vimaranense, o cavaleiro José Martins de Queirós Montenegro (Minotes), falecido em 1906. Do Hipódromo José Minotes, das Gualterinas de 1923, com as necessárias adaptações, nasceria o Campo de futebol do Vitória, empreendimento assumido pelo Capitão Fraga, por João Rodrigues Loureiro e por Alberto Teixeira Carneiro, o proprietário do terreno. A inauguração do Campo José Minotes, abrilhantada pela banda do RI 20, aconteceu no dia 27 de Janeiro de 1924, com um jogo entre o Vitória e o Sporting de Braga, com o pontapé de saída simbólico a ser dado por Júlia Jordão, que terminaria com uma vitória dos bracarenses por quatro bolas sem resposta.

Mas o Campo José Minotes teria vida curta. Na sua edição de 5 de Outubro de 1924, o Ecos de Guimarães anunciava:

Guimarães está outra vez sem campo de jogos.

As razões por que o seu proprietário se viu forçado a demolir as bancadas e vedação, são algo complicadas e portanto não queremos entrar em detalhes.

Novamente sem campo de jogos, a direcção do clube não baixaria os braços na procura duma solução. Designou-se um grupo de trabalho, procuraram-se apoios, encontraram-se financiadores, criaram-se as infra-estruturas. No dia 7 de Junho de 1925, a banda do RI 20 abrilhantaria novamente a inauguração de um campo de futebol, o Campo da Perdiz, belamente situado num dos pontos mais bonitos da cidade. O programa contou com dois jogos de futebol, um entre as segundas categorias do Vitória e do Famalicense, que terminou empatado (3-3), e outro entre as primeiras categorias dos mesmos clubes, de que saiu vencedor o Vitória (2-1). Estava resolvido o problema do recinto desportivo, mas outro iria surgir: a utilização do Campo da Perdiz cedo se revelou demasiado onerosa para os frágeis cofres do clube.

 

Da cisão à reunificação

Entretanto, no final de Junho de 1924, anunciara-se a criação de um novo clube, que projectava constituir-se como um grupo onde todos os ramos do sport tenham a sua prática. Nascia o Atlético Sport Clube, em resultado de uma cisão no Vitória Sport Clube, onde se tinham formado duas correntes com visões distintas quanto à vocação da agremiação: uma que apostava quase exclusivamente no desenvolvimento do futebol, outra mais ecléctica, que defendia que o clube deveria alargar a sua actividade a outras modalidades. O Atlético é obra desta última corrente. Durante a sua existência, que seria breve, privilegiaria outros desportos, como o ciclismo e o atletismo, a par do futebol.

As relações entre o Vitória e o Atlético seriam marcadas por uma rivalidade acirrada, onde não faltavam argumentos de carácter político: a certa altura, percebe-se que o Vitória era identificado com os republicanos, enquanto o Atlético era conotado com os monárquicos. Curiosamente, quando estas supostas simpatias partidárias afloraram nos jornais, o Atlético era presidido por um republicano, Heitor da Silva Campos, enquanto que o Vitória tinha à sua frente um defensor da causa monárquica, Afonso da Costa Guimarães…

Para alguns, a rivalidade entre os dois clubes teria sido virtuosa: ao estimular a emulação e a competição entre ambos, teria dado um contributo significativo ao progresso do desporto em Guimarães. Mas o tempo fez com que se impusesse a ideia de que a competição não deveria ser travada dentro de portas, mas dirigir-se contra os adversários externos, começando a falar-se na fusão entre os dois clubes, que acontecerá no início de 1926. As assembleias gerais do Vitória, em 8 de Janeiro, e do Atlético, cinco dias depois, aprovaram a fusão dos dois clubes, agregando as mais-valias de cada um. O Vitória tinha campo de jogos, mas não tinha sede; o Atlético tinha sede, mas não campo de jogos. O novo clube teria sede e campo de jogos. Por breves momentos, chamou-se Foot-Ball Club de Guimarães, para depois assumir a designação de Sport Club de Guimarães, que manteria por escassos meses. O ano não terminaria sem que regressasse definitivamente à designação original: Vitória Sport Clube.

 

Dentro das quatro linhas

Do ponto de vista desportivo, os primeiros anos do Vitória Sport Clube estiveram longe de ser heróicos. É certo que, no cômputo geral, averbou menos derrotas do que vitórias, mas estas aconteciam, por regra, com equipas pouco competitivas. O saldo dos seus confrontos com clubes como o Braga ou o Famalicense era francamente negativo.

Em Outubro de 1923, anunciara-se que o Vitória tinha pedido a sua adesão à Associação de Futebol de Braga, fundada em 1922, com o propósito de participar no campeonato distrital. A primeira participação aconteceria na época de 1923-1924, edição em que todos os jogos decorreram em Braga, durante o mês de Novembro de 1923. A participação do representante de Guimarães seria atribulada. No primeiro desafio, contra o Sport Club de Braga, realizado no dia 4, o Vitória jogou com um elemento a menos porque, por equívoco, a equipa apenas tinha levado consigo dez equipamentos e o árbitro não permitiu que um jogador entrasse em campo sem estar uniformizado regulamentarmente. Venceram os de Braga, por 2-1. Uma semana depois, no segundo jogo, contra o Sporting de Braga, o Vitória seria derrotado por falta de comparência. O camião que transportava a equipa avariou a meio do caminho, ao chegar às Taipas. Ainda chegaria a Braga, mas a derrota já estava decretada pelo árbitro. A pedido do público, naquela tarde ainda se disputaria um jogo de exibição entre os dois clubes. Na terceira jornada, o Vitória jogou desfalcado contra o Triunfo de Barcelos, averbando terceira derrota, por 2-1. No ano seguinte, as coisas correriam mais de feição aos alvinegros de Guimarães, que alcançariam o 2.º lugar no campeonato distrital. Mas aqueles eram, e continuariam a ser, tempos de hegemonia do Sporting de Braga.

Bem melhor seria a prestação da equipa de infantis do Vitória, que se sagrou campeão distrital na sua segunda participação na competição, na época de 1926-1927. A finalíssima aconteceu a 23 de Janeiro de 1927, no Campo da Perdiz. Nesse jogo o Vitória alinhou com Teles; Claro e Firmino (cap.); Almeida, A. Freitas, Sousa; Branco, Virgílio, Ribeiro, Adelino e Ferreira. Segundo o cronista do Ecos de Guimarães, o jogo desenvolvido com energia e entusiasmo, prendeu a assistência, que seguia atenta as jogadas desenvolvidas. Triunfou o que devia triunfar: o Vitória, que dominou o adversário de princípio a fim, duma maneira nítida, que não deixou lugar a dúvidas. Um golo solitário marcado pelo half centro, A. Freitas, assegurou ao Vitória a sua primeira conquista.

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Por aqueles dias, parecia que os ventos corriam de feição para que o Vitória passasse a lutar em pé de igualdade com o seu principal rival, o Sporting de Braga, disputando-lhe a supremacia distrital, até aí incontestada. A fusão com o Atlético conferia-lhe mais robustez, o campeonato conquistado pelos infantis acrescentava-lhe um suplemento de ânimo, de ambição e de confiança no futuro.

Porém, a história dos anos que se seguiram seria bem diferente. Entre 1927 e 1932, o Vitória Sport Clube atravessou o deserto.

 

António Amaro das Neves

 

 (este texto tem a sua continuação aqui)

(publicado na revista Mais Guimarães - pág.37-40)



publicado por Miguel Salazar às 20:14
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2015
Old Fox, a Velha Raposa S(á)ioux...

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Old Fox é de longe o mais experiente de todos os Caçadores S(á)ioux.

Há já muito tempo que perdeu a conta ao número de águias-vermelhas que conseguiu abater ao longo da sua vida. Em boa verdade, será muito difícil saber ao certo quem mais passarolas terá abatido: a Velha Raposa ou o Grande-Chefe Fernando.

Só mesmo a sua humildade e modéstia o impedem de usar todas essas penas vermelhas num cocar, antes preferindo usá-las na ornamentação das suas armas de guerra. Na cabeça, apenas uma - a mais especial de todas.

Essa experiência de guerra da Velha Raposa, será fundamental para as duas batalhas deste fim-de-semana, e o Grande-Chefe Fernando conta seguramente com o poder devastador do seu tomahawk, para levar essas batalhas de vencida...

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 14:45
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Terça-feira, 26 de Maio de 2015
Black Breeze, o índio Blackfoot dos S(á)ioux...

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Black Breeze é um Blackfoot ao serviço dos S(á)ioux do Grande-Chefe Fernando.

Só à sua conta, Black Breeze já abateu 6 águias-vermelhas.

Este fim-de-semana, irá juntar mais 2 penas à sua lança-de-troféus...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 20:56
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2015
Silva(r) Arrow, o jovem índio S(á)ioux...

20150522 Zé Silva.png

O famoso Seta Prateada, um dos mais temíveis caçadores de águias-vermelhas da tribo do Grande-Chefe Fernando, era famoso pela precisão das suas flechas. Silva(r) Arrow, conhecido pelos seus irmãos-de-sangue como Silver, ou simplesmente Silva, era um terrível arqueiro.

Embora ainda jovem, este caçador S(á)ioux já ostentava cinco penas de águia-vermelha na sua cabeça, arrancadas em batalha a outras tantas águias massacradas...

O terrível Seta Prateada estava de volta às terras do Sul, para juntar mais algumas penas à sua colecção.

A águia, essa lá estava à espera, altaneira e vigilante (entenda-se petrificada pelo pânico e incontinente), lá no alto do mais alto de todos os lampiões das terras do Sul. Pobre águia... estava ela convencida que assim estaria a salvo das setas prateadas do Silva(r) Arrow...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 23:09
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2015
Rodeo em Barcelos...

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Não foi tarefa fácil a dos nossos Conquistadores, no passado fim de semana.

O Galo de Barcelos foi um bicho muito duro de roer.

Valeu a experiência de Lucky Luke Wiggins, o nosso herói americano dos Rodeos...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 00:15
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Domingo, 10 de Maio de 2015
Um artilheiro na forja da formação Vitoriana...

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Rui Areias, ponta-de-lança com 13 golos marcados no Campeonato da Segunda Liga. O 11º da tabela dos Melhores Marcadores, e o 4º melhor português.

Mais um grande jogador, nado e criado em Guimarães, na forja da nossa formação...



publicado por Miguel Salazar às 00:54
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Sábado, 21 de Março de 2015
A pena da águia...

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CONQUISTADORES,

Depois da vossa grandiosa vitória de ontem sobre o Sampaense, esta é a pena de águia que estará em jogo na partida de hoje das meias-finais da Taça de Portugal com os Mouros do Bairro de Benfica.

Hoje tereis mais uma oportunidade de provar que, com a vossa concentração, a vossa abnegação e principalmente com a vossa superação, sereis SEMPRE capazes de vencer os Mouros do Bairro e os seus Milhões. Por mais incrível que possa parecer a alguns, a verdade é que essa vitória... está nas vossas mãos !

Façam-nos lá o favor de arrancar mais esta pena para o cocar de Fernando, o nosso Grande Chefe S(á)ioux...

A depena da águia começa hoje às 17 horas, em Fafe, no sítio do costume...



publicado por Miguel Salazar às 09:00
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Sexta-feira, 20 de Março de 2015
CONCENTRAÇÃO, ABNEGAÇÃO, SUPERAÇÃO...

Fernando, Grande Chefe S(á)ioux

Fernando, é o nosso Grande-Chefe ioux, mas também podia ser um Grande-Chefe ache, yenne, yuse, Conche, Najo, nook, Move, rokee, wnee, ctaw, kfoot, ppewa ou até Moino, ... A verdade é que fosse qual fosse a sua tribo, seria SEMPRE um Grande-Chefe... e com um cada vez maior cocar.

O nosso Depenador de Águias e os seus Conquistadores irão ter amanhã mais um dos seus jogos preferidos. Mais um jogo de total concentração, abnegação e superação.

O Vitória-Benfica, a contar para as Meias-Finais da Taça de Portugal, é amanhã às 17 horas, em Fafe...

Rumo à Final !...



publicado por Miguel Salazar às 23:00
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Quinta-feira, 19 de Março de 2015
Enquanto houver um Vitoriano...

...jamais lutareis sozinhos !

 

20141126 Rumo a Fafe.jpg

Hoje, quinta-feira, terão início as derradeiras batalhas para a Conquista da LXVI Taça de Portugal. O primeiro embate dos Vitorianos é apenas amanhã, mas eles já correm a caminho de Fafe, tamanha é a sua ânsia de conquista de mais um troféu.

Sexta-feira às 21 horas, estaremos frente-a-frente com os beirões do Sampaense.

Vimaranenses e Vitorianos, todos nós confiamos em Fernando Sá e nos seus Conquistadores.

Boa sorte, Campeões !  Nós estamos convosco...



publicado por Miguel Salazar às 14:00
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Quarta-feira, 11 de Março de 2015
Fernando, Grande-Chefe S(á)ioux...

Fernando S(á)ioux

Fernando Sá já há muito tempo se tornou numa verdadeira lenda Vitoriana.

Jamais houve, ao longo dos 92 anos de história do Vitória Sport Clube, um treinador que tivesse tido tanto sucesso como Fernando Sá. Sob a sua orientação técnica, o nosso basquetebol já se sagrou Campeão e Vice-Campeão Nacional da Proliga, já conquistou um Troféu António Pratas, já venceu 2 Taças de Portugal e já foi Vice-Campeão Nacional da Liga Profissional.

Mas, para além deste invejável palmarés, Fernando Sá parece ter vindo a especializar-se num adversário muito em particular - o seu arquirrival Benfica. Nunca antes houve algum treinador, em qualquer uma das muitas modalidades do clube, que os tivesse vencido tantas vezes. Até hoje, e enquanto vitoriano, Fernando Sá já os derrotou em 8 ocasiões, incluindo os jogos em que se sagrou vencedor do Troféu António Pratas e da última Taça de Portugal. Se a estas vitórias juntarmos ainda as que conseguiu ao serviço do FCPorto, então elas ascenderão às dezenas.

Fernando Sá é assim um verdadeiro especialista na arte de bem depenar as águias. Tantas vezes já o fez que as penas que juntou até hoje, seriam mais do que suficientes para decorar frondosamente um cocar índio americano. Tivesse Fernando Sá nascido na América do Norte, e seria seguramente um Grande-Chefe S(á)ioux...

revista Mais Guimarães

 

 

José Rialto

 

Post scriptum
Como nasceu em terras Lusas, Fernando Sá tem de se contentar em ser “apenas” um enormíssimo treinador de basquetebol – seguramente o melhor que há em Portugal...
 
(cartoon publicado no blogue Depois Falamos)


publicado por Miguel Salazar às 20:16
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Quinta-feira, 5 de Março de 2015
Rumo a Santo Tirso...

Rumo a Santo Tirso

Amanhã à noite, sexta-feira dia 6, o Vitória dá início à sua participação na final a 8 da Taça de Portugal.

Allan Cocacto e os seus Conquistadores irão enfrentar o Benfica em Santo Tirso, revivendo grandes partidas entre as duas equipas.
Força rapazes !...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 19:30
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E o Dragão voltou a dançar...

a Dança do Dragão Azul 

A equipa de basquetebol do Vitória segue o seu caminho, imparável rumo a Fafe, para a final a 8 da Taça de Portugal.
Primeiro foi o Guifões, e agora foi o Dragão, que voltou a dançar na ponta das lanças dos homens de Afonso.
Para os Conquistadores, o caminho para Fafe faz-se em festa, celebrando o seu sucesso com... a Dança do Dragão Azul...
 
José Rialto


publicado por Miguel Salazar às 16:45
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015
De joelhos e tão atordoados…

20150225 Doug Silva Pavlovic Marcel Balseiro.png

No passado sábado o Vitória deu uma enorme demonstração de garra e de querer, ao vencer categoricamente uma equipa que, face ao milionário orçamento de que dispõe, tinha a obrigação de transformar o Campeonato da Liga num autêntico passeio. Quem tem aqueles 4 americanos, 1 cabo-verdiano e todos os portugueses que o dinheiro consegue comprar, tinha obrigação de fazer bem melhor. O problema é que o dinheiro não consegue comprar nem tudo nem todos. Por isso o Vitória consegue ter a equipa que tem. Mas apesar desse facto, a verdade é que com os milhões de euros de que dispõem, foram capazes de reunir um conjunto de grandes jogadores, com muita qualidade técnica, que jogam muito profissionalmente. O "único" problema é que não há dinheiro que compre aquele factor de motivação extra a que vulgarmente se chama “coração”. E é este “coração” que faz com que muitas vezes as pessoas consigam superar-se a si próprias, alcançando feitos pouco menos do que inimagináveis. Os nossos bravos Conquistadores que jogam de Afonso ao peito, são o melhor exemplo disso mesmo, e por isso são o orgulho de toda uma cidade. Quanto aos nossos adversários do passado fim de semana, eles também têm alguns jogadores assim no seu plantel, mas esses, os que jogam com o coração, não têm lugar na equipa.

Depois, dentro deste grupo de profissionais pagos pelo seu peso em ouro, existe uma sub-espécie de indivíduos cujas qualidades se limitam à sua valia técnica, e se extinguem nela.

São indivíduos que não sabem ganhar nem sabem perder, que são arrogantes nas vitórias e agressivos (ou até mesmo violentos) nas derrotas.

Indivíduos que passam jogos inteiros a provocar os adversários e os seus adeptos.

Indivíduos que após o final dos jogos se deixam ficar em campo apenas para poder dar continuidade à sua constante provocação aos adeptos adversários.

Indivíduos que beijam o emblema da camisola que vestem, não por respeito ou paixão pelo clube que lhes paga, mas apenas porque estão convencidos que assim conseguem ser ainda mais provocadores.

Indivíduos que não conseguem compreender que o motivo pelo qual são tão desprezados não tem a ver com a cor da sua pele ou da sua camisola, mas apenas com a imbecilidade do seu comportamento.

Indivíduos que são tão exuberantes na demonstração pública da sua fé, mas que não conseguem compreender que não hão-de ser os inúmeros sinais da cruz que fazem ao longo dos jogos, que comprarão a sua redenção, ou que farão deles melhores cristãos.

Indivíduos que parecem não conseguir compreender que um dia o basquetebol acaba, e que nessa altura não lhes sobrará nada que os possa valorizar para o resto das suas vidas.

Indivíduos que não conseguem aperceber-se de que quando já se tem 37 anos, o seu fim na modalidade está iminente e que, a partir dessa altura, é bem possível que a tarefa de apanha-bolas seja o único trabalho que o basquetebol tenha para lhes oferecer.

Indivíduos que não merecem o respeito de ninguém... que não merecem sequer que se pronunciem ou escrevam os seus nomes.

Se a isto tudo juntarmos ainda a sua arrogância e sobranceria, temos então motivos mais do que suficientes para sentirmos este prazer quase sádico, quando os vemos a ser esmagados e principalmente quando os vemos assim... de joelhos e tão atordoados...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 20:23
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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015
O regresso do traidor...

Amanhã por esta hora, o Vitória defronta a Académica de Coimbra. À frente dos estudantes virá (se entretanto não se bandear para quem lhe ofereça mais) aquele que há uns anos abandonou os Vitorianos à sua sorte. A história remonta a Abril de 2010, e conta-se em poucas palavras. Em boa verdade... numa única frase.

Desertou a meio da batalha e bandeou-se para o inimigo... a troco de 30 dinheiros. 

Se calhar, na altura convenceu-se de que as carreiras se faziam apenas de ascensões. Agora, 5 anos depois e já em pleno declínio, o destino obriga-o a encarar de novo aqueles que abandonouTalvez por isso venha vestido de negro. E apesar de vir com a cabeça descoberta, sabemos bem que o seu boné cor-de-laranja continua por lá. Nunca conseguiu livrar-se dele e jamais conseguiráÉ uma coisa quase genética.

Agora vamos enfrentá-lo e, para isso, nem sequer iremos precisar da ajuda da espada d’El-Rei. Bastar-nos-á um simples escudo para proteger as costas. A verdade é que, com gente desta, só temos mesmo de nos preocupar com as nossas costas...

 

José RialtoPaulo Sérgio, o Gollum

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(a estátua que os Vitorianos lhe poderiam ter dedicado)



publicado por Miguel Salazar às 18:00
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015
o General Rui Vitória...

o General Rui Vitória

 

 

 

 

A convite da Editora TopBooks, Rui Vitória escreveu e lançou muito recentemente "A Arte da Guerra para Treinadores", numa versão muito pessoal do clássico "A Arte da Guerra", do General chinês Sun Tzu (escrita há mais de 2500 anos).

Aquilo que Rui Vitória escreveu neste livro é muito mais do que um simples manual sobre estratégia para treinadores de futebol. A sua versão de ”A Arte da Guerra” é um verdadeiro tratado sobre liderança, transversal a todas as relações laborais.

O que do meu ponto de vista é mais curioso nesta obra é que, apesar de nunca ter tido qualquer experiência de vida militar, Rui Vitória não deixa de basear a sua estratégia em princípios e conceitos que são muito caros à instituição castrense.

Estou a referir-me a aspectos como a distância relativa que o líder deve manter em relação aos seus subordinados, o estabelecimento de uma hierarquia vertical dentro do grupo e a obrigatoriedade de utilização dessa hierarquia no contacto com os subalternos. Mas também me estou a referir a alguns dos instrumentos que utiliza na preparação dos seus homens, como a penalização colectiva em consequência do erro individual, e que é uma forma extremamente eficaz de estimular e desenvolver aquilo que, em termos militares, se designa por “espírito de corpo”. Curiosamente, até um dos seus lemas predilectos – “quem treina muito bem irá ter um bom jogo” –, é em tudo semelhante ao da antiga Escola de Tropas Aero-Transportadas –  “Instrução dura, combate fácil”.

Com esta obra, de leitura fácil e aprazível, Rui Vitória mostra também um lado que ainda não lhe conhecíamos. O seu lado mais humanista, com uma abordagem muito mais abrangente, e que se preocupa com o jogador de futebol no seu todo. Rui Vitória demonstra à saciedade, os fundamentos da sua estratégia, em que nada é deixado ao acaso, e em que tudo é preparado ao mais ínfimo pormenor, para que o factor surpresa seja reduzido à sua mínima expressão.

Rui Vitória alicerça todas as suas decisões no conhecimento profundo da realidade do seu grupo, do seu inimigo e das circunstâncias que envolvem ambos.

Para os vitorianos, ler “A Arte da Guerra para Treinadores”, há-de ser a constatação de que à frente das suas tropas está um verdadeiro General. Assim foi para mim, e estou certo de que assim há-de ser para todos os vitorianos.

Estátua de Sun Tzu, em Yurihama (Japão)

 

Estátua de Sun Tzu, em Yurihama (Japão)

Quanto aos treinadores a quem o livro se destina, esses terão a rara oportunidade de aprender com quem tem alguma coisa para lhes ensinar, e a generosidade suficiente para não se importar de o fazer. Mas em relação àqueles para quem este livro teria certamente a maior utilidade ("vocês sabem do que é que eu estou a falar"), ele há-de ser apenas um drama, um enorme drama. O drama de a mensagem de Rui Vitória lhes soar exactamente do mesmo modo que lhes soaria a versão original, não traduzida, de Sun Tzu...

 

José Rialto

 

 

(estátua de Sun Tzu em Yurihama, Tottori, Japão)

voltar à revista MAIS GUIMARÃES



publicado por Miguel Salazar às 17:33
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015
Hat Trick, a nova bola da Adidas...

André André

E como não há duas sem três, a Adidas acaba de lançar o seu terceiro modelo de bola de futebol para a época de 2014/2015.

Depois da Brazuca e da Conext 15, a marca alemã lança agora a Hat Trick.

Desenhada por André André, coube também ao jogador vitoriano a honra de a apresentar, com pompa e circunstância, no jogo deste Domingo em Guimarães, contra o Nacional da Madeira...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 00:11
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014
O outro lado do Pai Natal...

Na noite da véspera de Natal, confortavelmente sentado na minha poltrona em frente à lareira, acabei por me deixar adormecer. Não sei se foi do calor reconfortante da lareira e do efeito hipnotizador das suas chamas, se foi do conforto da poltrona, ou simplesmente do cansaço acumulado. Facto, facto é que adormeci mesmo... e sonhei...

Rui Vitória estava inconsolável, de braços abertos, virado para Júlio Mendes... vestido de Pai Natal. O nosso treinador nem queria acreditar naquilo que viam os seus olhos. O plantel estava a ser desmantelado outra vez. Uma vez mais. Alguns dos seus melhores jogadores já estavam dentro do saco de prendas do Pai Natal, e a direcção que levavam não era a do seu sapatinho...

– Não estou a perceber… Mas afinal, o Pai Natal dá ou tira?

– Vamos ver, eu para poder dar as minhas prendas, tenho de as ir buscar a algum lado, não?

– E vai tirar-me esses jogadores todos?

– Vamos ver... Para já levo estes, mas depois venho buscar mais.

Rui Vitória estava cada vez mais desesperado. E o Pai Natal, na sua infinita generosidade, resolveu consolá-lo...

– Vamos ver, Mister, não desespere. Se quiser, também o levo a si na próxima remessa.

– Levar-me embora, Presidente? Mas eu ainda gostava...

– Deixe-se lá de sentimentalismos, homem. Aproveite que eu já disse que não lhe quero cortar as pernas.

De repente (que nesta coisa de sonhos e pesadelos, tudo acontece muito de repente) já estavam todos dentro do saco do Pai Natal (o treinador e o próprio Presidente incluídos).

O Outro lado do Pai Natal...

Com um sorriso quase maquiavélico, Júlio Mendes (o que estava vestido de Pai Natal) ainda disse entredentes...

– Levo-o a si... e eu aproveito e também vou. Vamos ver... se calhar já nem preciso de passar pela Liga. É isso! Vou oferecer-me directamente à Federação. Vai ser uma prenda extraordinária.

Rui Vitória não ouviu por certo estas últimas palavras, pouco mais do que ciciadas, mas eu senti-as como facas que se espetavam nas minhas costas. As gargalhadas de Júlio Mendes, sinistras, ainda ecoavam na minha cabeça, mas ironicamente foram também elas que me arrancaram deste terrível pesadelo e me trouxeram de volta à poltrona da minha sala e ao calor da minha lareira. As gargalhadas que agora ouvia eram muito mais reconfortantes. “Ho, ho, ho”... O Pai Natal, o legítimo, tinha acabado de entrar na minha sala. E desta versão mais tradicional do Pai Natal, gostava eu. Este só vinha mesmo entregar presentes. Não vinha tirar nada a ninguém...

 

José Rialto

 (este cartoon foi desenhado para o sítio da Associação Vitória Sempre)



publicado por Miguel Salazar às 20:11
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Sábado, 6 de Dezembro de 2014
Diamante Negro, Alvi-Negro ou Robbialac ?...

Jonathan Álvez

No Uruguai, terra que o viu nascer, Jonathan Álvez sempre foi o Diamante Negro.

Com a sua chegada a Guimarães, podia ter passado a ser branco e negro, pois não faltariam razões para isso. O princípio da igualdade de tratamento já remonta às origens do Vitória, e faz mesmo parte dos estatutos da fundação do clube - nunca fazer distinção entre brancos e negros, ou com quaisquer outras raças. Essa é a razão de ser das cores do nosso clube, e também o motivo pelo qual Jonathan Álvez poderia muito bem ter passado a ser o Diamante Alvi-Negro.

Mas fosse ele negro ou alvi-negro, a verdade é que isso seria apenas uma característica de si próprio, porque em relação aos seus adversários, Álvez pinta-os com as mais diversas cores. Deixa-os azuis com a falta de ar, amarelos de tão mal-dispostos, verdes de inveja, vermelhos com tamanha irritação e a estes últimos, os Moreirenses, a esses pintou-os de roxo, enregelados que ficaram com um golo marcado já nos minutos finais da partida. Enfim, é caso para dizer que lhes faz a vida negra ou que, no mínimo, os deixa brancos com os sustos que lhes prega.

20141206 Mais Guimarães

 

No início, o homem era apenas negro. Depois, podia ter passado a ser também branco. Mas com o tempo vai precisar de ter tantas cores para pintar os seus adversários, que mais há-de parecer um catálogo da Robbialac.

E é por isso que mais-dia-menos-dia há-de passar a ser conhecido pelo... Diamante Robbialac...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 13:58
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014
o Sambódromo...

Algures no enclave Marroquino do Lado-de-lá-da-Morreira...

Algures no enclave Marroquino do Lado-de-lá-da-Morreira...

 

 (este cartoon foi desenhado para o sítio da Associação Vitória Sempre)

 



publicado por Miguel Salazar às 17:00
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014
ALL MONEY versus ALL HEART...
Esta noite tive um sonho...
Poderia muito bem ter sido mais um pesadelo, mas a verdade é que desde que o Milo deixou de nos enfernizar a vida, nunca mais os voltei a ter; por falar nisso, em que pé estará aquela história da investigação "levada a cabo" pela actual Direcção ?

20141121 o Haka.png

Mas, voltando ao meu sonho, ele passava-se no pavilhão da Luz. O ambiente era infernal, com mais de 50 pessoas nas bancadas (incluindo polícias e seguranças). Os nossos Conquistadores aprestavam-se para enfrentar os Mouros do Bairro de Benfica. Parecia mesmo um daqueles escaldantes jogos de râguebi entre a Austrália e os ALL BLACK da Nova Zelândia.
Deve ter sido essa associação de ideias que fez com que o cenário do meu sonho mudasse por completo.
Subitamente, em campo já não eram mais os Mouros do Bairro de um lado e os nossos Conquistadores do outro. Eram os ALL MONEY e os ALL HEART. Não sei exactamente porquê, mas a verdade é que era assim mesmo... os ALL MONEY contra os nossos ALL HEART.
O tempo estava quente, mas apesar disso, o treinador dos ALL MONEY tremia como varas verdes. Se calhar nem era o frio que o fazia tremer. Afinal, do outro lado estava o maior de todos os seus pesadelos - Fernando Sá. Os jogadores que vestiam de escarlate, com um enorme euro dourado no peito, bem, esses estavam extasiados, quase tresloucados. Com os olhos injectados de sangue e as línguas fora da boca, os ALL MONEY faziam um Haka à maneira dos ALL BLACK. Na realidade não seria bem bem à maneira dos ALL BLACK... Esta espécie de Haka dos ALL MONEY parecia mais uma coreografia inspirada naquela dança esquisita que o seu treinador tinha feito um dia no Dragão-Caixa, há uns anos atrás, na comemoração da conquista de um Campeonato (ver vídeo mais abaixo). Da algaraviada ininteligível que gritavam, a única coisa que era um pouco mais perceptível eram os finais de cada frase. Como era em língua aborígene, não se fazia a mais pequena ideia daquilo que estariam a dizer, mas soava mais ou menos assim:
- A-PA-NI-KO-É-LÉ-PO-TÉ-KA-NA-KO-LI-NU-KU... BRRRRRRRRR... É-LÉ-TA-NA-KA-PO-KI-NO-XÉ-TÉ-NU-KU... BRRRRRRRRRR
Podia não ser um Haka como o dos ALL BLACK, podia nem sequer ser muito aterrador, mas a verdade é que pelo menos estavam todos muito certinhos. Valha-lhes isso...
Do outro lado estavam os ALL HEART, muito mais discretos e confiantes, com o semblante de quem sabia muito bem aquilo que ali estava a fazer.
E era assim: enquanto uns faziam aquela espécie de Haka, os outros anunciavam ao Mundo que iriam lutar "pela Cidade-Berço". E o grito que deram foi tão alto, que tanto os ALL MONEY como a multidão de 50 (polícias e seguranças incluídos) se calaram, fazendo-se um silêncio sepulcral no pavilhão. Mas o pior nem foi isso. O pior foi o facto desse grito ter acabado por me arrancar do meu sonho. Fiquei desolado, sem saber afinal quem conseguiu vencer o jogo. Mas desconfio que entre uns que se chamavam "ALL MONEY" e outros que eram reconhecidos por serem os "ALL HEART", não haveria (como não haverá) grandes dúvidas...
Aqueles que jogam com maior paixão e coração, acabarão por conseguir o triunfo final. E ainda que, se por algum capricho do destino tal não vier a ser possível, hei-de ficar orgulhoso da mesma forma, pois sei bem que, sejam quais forem as circunstâncias, hão-de sempre deixar a pele em campo a tentar vencer o jogo.
E esse, meus senhores, esse é que é o maior orgulho de todos os Vitorianos...
 
José Rialto
 
Aos 45" deste vídeo, poderá ver
a dança que inspirou o Haka dos ALL-MONEY...



publicado por Miguel Salazar às 21:08
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014
A camisola de Rafael Crivellaro...

20141119 Crivellaro.png

A cada jogo que passa, a camisola de Rafael Crivellaro vai-lhe ficando cada vez mais pequenina. Já é pouco mais do que um "top". Se Rui Vitória não se apressar a chamar o médio brasileiro, ainda se arrisca a perdê-lo para a equipa de "chearleaders"...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 19:00
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Sábado, 8 de Novembro de 2014
"Que seja infinito enquanto dure"...

20141107 Líderes.jpg

Poderá não durar sempre.

Poderá durar pouco tempo.

Poderá mesmo durar apenas 44 horas.

Mas, como escreveu Vinicius de Moraes... "que seja infinito enquanto dure"...



publicado por Miguel Salazar às 18:46
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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2014
Uma corrida muito peculiar...

20141106 Corrida peculiar.png

Já lá dizia George Orwell, na sua fábula Animal Farm, publicada em 1945...

"All animals are equal... but some animals are more equal than others"

 



publicado por Miguel Salazar às 23:03
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014
Para que a História não se repita...

20141030 o Rei (de) Leão.jpg

 

 
 
É bem conhecido o episódio de Egas Moniz durante o cerco que o Rei de Leão montou a Guimarães, pouco tempo depois da Batalha de São Mamede. Atormentado com a perspectiva das agruras e da fome que seguramente iriam surgir com a manutenção desse cerco, o Aio de Dom Afonso Henriques resolveu fazer, à rebelia do seu Senhor, um acordo com o Rei de Leão. A promessa de Egas Moniz, que garantia a Afonso VII a vassalagem do seu primo, foi argumento suficiente para que o Leonês levantasse o cerco e regressasse à sua Corte em Toledo. O resto da história conta-se em poucas palavras.
Confrontado com a ira de Afonso Henriques quando soube do sucedido, e vendo que o seu Senhor não iria cumprir a promessa que tinha feito ao Rei de Leão, Egas Moniz tinha de fazer alguma coisa para tentar manter a sua dignidade. Decidiu então dirigir-se a Toledo para oferecer a sua vida, conjuntamente com a da sua mulher e a dos seus dois filhos, como única forma de recuperar a sua honra.
Pois bem, a memória desse episódio ainda se mantém bem viva na cabeça de Afonso, mesmo quase 9 séculos depois dele ter acontecido. Quando Domitílio, vigilante do alto da torre de menagem do castelo, alertava para a chegada do Rei Leão, Afonso compreendeu mal as suas palavras. Pensando estar novamente perante o Rei DE Leão, temeu que essas memórias antigas pudessem assaltar também o seu velho Aio. E assim sendo, não era tempo de repetir erros do passado...
- O Rei de Leão ??  Rápido, prendam o Egas !...
 
José Rialto


publicado por Miguel Salazar às 23:53
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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2014
o Corredor Invisível...

A visão da realidade...

O Vitória é actualmente o 3º classificado da Liga, à frente do Sporting, a escassos 2 pontos do líder Benfica e apenas a 1 do FCPorto. Pois bem (mal), esse facto é literalmente ignorado por tudo quanto é pasquim desportivo. Todos eles vão divagando como se a discussão da liderança fosse hoje-em-dia uma questão a 3 (estarolas).

As tendências clubísticas de cada um desses pasquins são distintas e por demais conhecidas de toda a gente, mas apesar dessas diferenças, há algumas características que os unem: a mediocridade, e o desprezo pela verdade desportiva, pela equidade de tratamento e afinal pelo Desporto em geral. Não é de hoje. Sempre assim foi. É o nosso triste fado de ter tantos pasquins e não ter um único verdadeiro jornal desportivo digno desse nome.

Nas televisões, a falta de nível jornalístico é exactamente a mesma, tal como são os mesmos, a mediocridade e o desprezo pelos valores supostamente aprendidos durante a sua formação jornalística. O Vitória imiscui-se na luta pela liderança, jogando actualmente com 6-7 jogadores nacionais na sua equipa principal, sendo uma grande parte deles oriunda da nossa formação e quase todos da equipa B. O Benfica joga com apenas 1 jogador português e o FCPorto quase sempre sem nenhum. Pois apesar disso, ainda há bem pouco tempo se viu na televisão um programa sobre a formação no futebol, em que conseguiram estar a falar quase duas horas apenas dos três estarolas, não dispensando uma palavra que fosse ao clube que, a par do Sporting, melhor trabalha nesse aspecto – o Vitória. Mas quando o Benfica, por uma única vez e numa partida menos exigente, utilizou meia dúzia de jogadores nacionais, logo esse facto serviu para se encherem capas de jornais e dezenas de páginas interiores, tecendo-se os maiores encómios à alegadamente renascida formação Benfiquista. Como se por ventura uma andorinha fosse capaz de fazer a Primavera.

A luta é inglória, e é lamentável que no Vitória, a única voz que se faz ouvir seja a do treinador. Em primeira instância não era a ele que deveria competir a defesa do clube.

Mas ainda voltando à questão da liderança do campeonato, a verdade é só uma... para toda a Comunicação Social, os 3 estarolas continuarão a ser os únicos a correr nessa luta.

A visão dos pasquineiros...

Por mais imiscuído que esteja o Vitória, para eles e para o Sistema, haveremos de continuar a ser... o Corredor Invisível. E se o tempo não se encarregar de nos afastar dessa luta, há-de ser o Sistema a fazê-lo. Afinal, para que servem as Comissões de Arbitragem e de Disciplina, senão para isso mesmo?...

 

José Rialtoblogue DEPOIS FALAMOS

 

 

 



publicado por Miguel Salazar às 01:36
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