Quarta-feira, 24 de Maio de 2017
a Sétima Cruzada da Era Moderna...

 

20170524 Sétima Cruzada.jpg

 

Entre os séculos XI e XIII, o Papado de Roma organizou nove Cruzadas, para resgatar Jerusalém aos Mouros. A Guerra Santa, como então ficou conhecida, foi bem sucedida logo na sua Primeira Cruzada, mas esse sucesso nunca mais haveria de se repetir, ao longo das restantes oito. A Segunda Cruzada constituiu-se como a primeira de todas essas derrotas, e a única vitória alcançada nesta altura, ocorreu em terras lusas. Dom Afonso Henriques contou com a ajuda dos Cruzados, que na altura se encaminhavam para Jerusalém, e assim conseguiu garantir a Reconquista de Lisboa, quando corria o ano de 1147.

 

Mais tarde (muito mais tarde), em 1922, haveriam de nascer aqueles que iriam dar lugar às Cruzadas da Era Moderna. Até 2016, os Conquistadores de Guimarães, legítimos descendentes do 1º Rei de Portugal, haveriam de lutar em seis Cruzadas, para a Conquista do Jamor.

Na Primeira e Segunda Cruzadas desta nova Era (em 1942 e 1963), os Conquistadores sucumbiram aos pés dos Mouros de Lisboa, mas não sem antes terem honrado o símbolo do Rei, que orgulhosamente traziam ao peito.

Em 1976, já na Terceira Cruzada (a única em que o objectivo não era o Jamor, mas sim o Porto), os Conquistadores foram vítimas da pérfida traição daquele maldito juíz cujo nome não deve voltar a ser pronunciado, e que ficará para sempre gravado como uma das maiores ignomínias da História do futebol luso.

As Quarta e Quinta Cruzadas aconteceram em 1988 e 2011, e trouxeram mais duas derrotas para os sempre orgulhosos descendentes do 1º Rei de Portugal.

Foi apenas em 2013, durante a Sexta Cruzada, que se conseguiu a maior vitória de todos os tempos, sobre os Mouros de Lisboa. Contra tudo e contra todos, os Conquistadores, apoiados por uma milícia de dezenas de milhar de Vitorianos, tomaram o Jamor de assalto, dizimando as forças inimigas. A vitória foi tão contundente que o próprio Sultão Mouro decidiu seduzir para o seu serviço, o General que o tinha derrotado. Por estes dias, e já em plena Sétima Cruzada, é contra este ex-General, agora armado Grão-Vizir, que os Conquistadores terão de lutar.

Hoje, chegados portanto à Sétima Cruzada da Era Moderna, o tempo é o da Reconquista do Jamor. 870 anos depois d' El-Rei Dom Afonso Henriques ter conseguido reconquistar Lisboa aos Mouros, é chegado o dia de fazermos jus ao nosso nome e reconquistarmos o Jamor.

 

A 28 de Maio de 2017, nós, os Conquistadores de Guimarães, legítimos descendentes do 1º Rei de Portugal, apoiados novamente pelas nossas indefectíveis milícias, iremos gravar a letras de ouro mais uma página da nossa gloriosa História.

 

A Reconquista do Jamor é o nosso objectivo,

e a Glória o nosso destino !...

 

José Rialto

 



publicado por Miguel Salazar às 22:44
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Terça-feira, 23 de Maio de 2017
O rapaz do Bar...
Confortavelmente refastelado na 4ª fila da zona Euro da sala de espectáculos, e depois do filme ter terminado, visivelmente bem disposto, Pedro Martins gracejou em voz alta, enquanto se voltava para trás, na direcção do bar:

- Ó rapaz, tu desculpa lá o mau jeito. Eu sei que era aqui que tu querias...

Nem acabou o que ia dizer. O rapaz do bar tinha estado sentado ao balcão durante quase todo o filme, mas já não estava mais lá. Em boa verdade, já lá não estava há algum tempo. Depois de perder, pela enésima vez, mais um engate para alguém que tinha acabado de entrar, o dono do bar tinha perdido a paciência, e acabou por correr com ele do estabelecimento. É que já não havia mais pachorra para tanta aselhice. Estava farto de desperdiçar dinheiro nos copos do rapaz... e na limpeza da casa de banho.

O rapaz tinha sido corrido, mas já lá estava outro na sua vez. E este não perdia tanto tempo a conversar com raparigas. Não perdia tanto tempo, mas perdia-as de igual forma para qualquer marmanjo que acabasse de entrar no bar. A última que perdeu foi para um gabiru da zona de Tondela.

Moral da história: o dono do bar poupava nas bebidas, mas continuava a não poder dispensar a senhora que lavava as casas de banho...

 

José Rialto


publicado por Miguel Salazar às 00:20
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2017
Bongani Zungu...

20170405 Zungu.png

Uma vez que...

- o benfiquista Celis não está assim em tão grande forma quanto isso...

- é um jogador emprestado, que dentro de 2 meses vai embora...

- que o Vitória não tem qualquer vantagem em o fazer rodar na equipa principal...

- e que Pedro Martins não poderá contar com ele para a final da Taça contra o Benfica...

 

E sabendo nós...

- que o vitoriano Bongani Zungu tem mostrado estar numa excelente forma...

- que Bongani Zungu é um activo do Vitória, e que portanto convém valorizar...

- e que será ele que vai jogar a final da Taça contra o Benfica...

 

Não seria melhor, e de mais bom-senso, sentar desde já o benfiquista Celis no banco, e dar a titularidade ao vitoriano Bongani Zungu ?



publicado por Miguel Salazar às 23:28
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Sábado, 1 de Abril de 2017
Em busca da segunda chave...

Uma já cá canta, nas costas de Pedro Martins, e a outra está logo ali, mesmo à mão de semear... ou melhor, mesmo à mão de colher...

20170318 Chaves VitóriaSC.png



publicado por Miguel Salazar às 10:00
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Sexta-feira, 3 de Março de 2017
A primeira das duas chaves...

... para abrir os portões do Jamor

20170302 Ricardo Soares.png

 



publicado por Miguel Salazar às 00:35
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017
O homem-forte, o menino birrento e a surra...

(take #3)

20170220 Armando Marques e Marega.png

 



publicado por Miguel Salazar às 20:16
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017
Dragão d'Ouro...

20170212 Júlio Mendes.png



publicado por Miguel Salazar às 22:23
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017
Janeiro, o mês do nosso martírio...

20170201 Pedro Martins.png

Definitivamente, a Direcção da SAD não consegue resistir ao tilintar de meia dúzia de cêntimos.

Eles bem juram que não irão repetir erros do passado, mas nas bocas deles, isso são apenas palavras, e as palavras leva-as o vento. Já nem vale a pena citar Pimenta Machado...

Eles gostam mesmo é de cortar as pernas aos treinadores. A Rui Vitória, cortaram-lhas por quatro vezes, sem falhar um mês de Janeiro que fosse. Na época passada, como os dois treinadores que por cá passaram nem tinham pernas para andar, também não havia o que lhes cortar. Mas este ano, já com tantas saudades, lá voltaram ao mesmo. Contrataram novamente um treinador com pernas, só para lhas poder cortar agora, chegados mais uma vez ao fatídico mês de Janeiro.

Cortam-lhes as pernas e depois arranjam-lhes um par de moletas... manhosas e ainda por cima emprestadas. Eram para ser umas próteses daquelas de lâmina, semelhantes às do Pistorius, mas essas acabaram por ser desviadas para Marrocos.

Coitado do Pedro Martins. Coitado dele, do Vítor Campelos (que acaba por levar por tabela), e coitados de nós, os Vitorianos...

Mas afinal até quando teremos nós de aguentar este martírio ?...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 17:33
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017
Show de bola no Sambódromo Municipal...

 

20170124 Show de Bola.png

O show de bola dos Conquistadores estava a ser tão espectacular, que os supostos adeptos marroquinos já não conseguiam mais suportá-lo. Roídos de inveja, debandaram das suas bancadas. Não fosse a presença massiva dos adeptos que tinham vindo da Cidade-Berço da Nacionalidade, e as bancadas do Sambódromo Municipal teriam sido devolvidas ao seu desolador aspecto habitual.

Quem aproveitou a acalmia da bancada agora deserta, foi Jorge Simão, que assim se posicionou para melhor poder contemplar o desfile dos nossos Conquistadores.

Jorge Simão sabia bem que não podia desperdiçar a ocasião - ocasião única de toda uma época. Afinal, não é todas as semanas que no Sambódromo Municipal de Braga se pode assistir a um espectáculo assim... tão grandioso... dentro e fora da parada dos desfiles...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 21:07
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016
Retrato de uma Família muito Eclética...

20161010 Retrato de Família.png



publicado por Miguel Salazar às 15:37
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016
A marca indelével de Manuel Mendes...

20160920 Manuel Mendes.png

Ao conquistar a medalha de bronze na Maratona T46 das Paralimpíadas de 2016, Manuel Mendes conseguiu, de uma vez só, trazer uma enorme recordação do Rio de Janeiro para Guimarães, mas também deixar a marca indelével da sua passagem pela Cidade Maravilhosa...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 23:28
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Domingo, 3 de Julho de 2016
Um furacão chamado Rui, na Cidade Maravilhosa...

 

20160630 Rui Bragança.png

 

Rui Pedro Rebelo Bragança nasceu em Guimarães, no dia 26 de Dezembro de 1991. Iniciou-se no desporto com uma passagem muito fugaz pelo karaté. Tinha apenas seis anos, quando se mudou para a natação, onde chegou mesmo a entrar para a equipa de competição. Uma inconveniente alergia ao cloro obrigou-o a tentar outros caminhos, regressando aos desportos de combate. Foi assim que o Rui chegou ao taekwondo, tinha ainda 13 anos de idade. Iniciou-se no Koryo de Guimarães, afirmou-se nacional e internacionalmente no ABC de Braga, e em finais de 2014 transferiu-se para o Vitória (o clube do seu coração), onde ainda permanece.

Participou nos Campeonatos Universitários em representação da Universidade do Minho, e já integrou a Selecção Nacional em inúmeras ocasiões.

Rui Pedro Bragança já foi sete vezes Campeão Nacional (2008, 2009 e de 2011 a 2015), sendo portanto penta-Campeão Nacional. Já foi 2 vezes vencedor da Taça de Portugal (2010 e 2012), 2 vezes Campeão Nacional Universitário (2010, 2012 e 2015), tri-Campeão Nacional sub-21 (2009 a 2011) e bi-Campeão Nacional júnior (2007 e 2008).

A nível internacional, foi 2 vezes Campeão Europeu (Baku'2014 e Montreux'2016), Campeão Europeu de Pesos Olímpicos (Nalchik'2015), Vice-Campeão Mundial (Gyeongju'2011), medalha de ouro nos Jogos Europeus (Baku'2015) e no Campeonato da Europa Universitário de 2011, medalha de prata no Campeonato da Europa Universitário (2009 e 2015), medalha de ouro nos Jogos da Lusofonia (Índia'2014) e medalha de bronze no Campeonato da Europa de juniores (2007). Em termos de Opens, venceu os de Portugal (2011), Israel (2010, 2013 e 2014), Suécia (2010), Sérvia (2011 e 2012), Holanda (2011 e 2014), Polónia (2012 e 2015), Suíça (2012), França (2013), Croácia (2014), Áustria (2014), Canadá (2016) e o Grand Prix da Turquia (2015).

Actualmente é o nº 2 do ranking Mundial na sua categoria (<58kg), e o nº 3 do ranking Olímpico.

Rui Bragança foi Embaixador da Cidade Europeia do Desporto, Guimarães’2013.

Em Agosto de 2016, Rui Bragança estará presente nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, passando a ser o primeiro atleta Vitoriano a marcar presença numa edição dos Jogos Olímpicos.

Rui Bragança foi merecedor de uma homenagem pública, que teve lugar na 7ª Gala do Desporto de Guimarães.

 

Fernão Rinada

 

20160703 Rui Bragança.jpg 

(caricatura oferecida ao atleta na 7ª Gala do Desporto, Guimarães'2016)



publicado por Miguel Salazar às 20:17
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2016
Dr Novais de Carvalho...

 

20160620 Novais de Carvalho.jpg

 

José Novais de Carvalho foi durante muitos anos o responsável máximo pelo Departamento Médico do Vitória. Mais tarde viria a ser também médico do Boavista.

É o Director do CMAD (Centro de Medicina Desportiva de Guimarães).

Foi Juíz da Irmandade de S. Torcato durante dezenas de anos.

Novais de Carvalho viu hoje os seus méritos serem reconhecidos pela Câmara Municipal de Guimarães, que lhe outorgou a Medalha de Ouro de Mérito Social...



publicado por Miguel Salazar às 20:00
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Quinta-feira, 10 de Março de 2016
Douglas de Jesus, o Muralha..

20160310 Douglas de Jesus.png

A conquista da Taça de Portugal na época 2012/2013, foi uma vitória que teve tanto de épica como de justa e merecida. Foi um troféu conquistado ao Benfica com muita bravura, graças ao esforço de um enorme número de jogadores, treinadores e técnicos de futebol.

Mas se tivéssemos de escolher um em particular, esse teria mesmo de ser o guarda-redes Douglas.

Douglas Renato de Jesus esteve sempre na base da conquista de cada uma das eliminatórias, e conseguiu mesmo ter um papel absolutamente preponderante em duas delas, ao defender vários pontapés da marca de grande penalidade, nos desempates de Setúbal e do Funchal (contra o Marítimo).

Numa altura em que o jovem João Miguel Silva vai conquistando, por direito próprio, o seu lugar na principal equipa dos Conquistadores de Guimarães, é da mais elementar justiça relembrar a brilhante carreira deste brasileiro que já muito fez por todos nós vitorianos. Com 33 anos de idade ontem cumpridos, o Muralha tem ainda muito para dar ao nosso clube. Assim a nossa Direcção saiba reconhecer-lhe o mérito de tudo o que já fez, bem como do muito que ainda poderá continuar a fazer...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 23:12
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Sexta-feira, 4 de Março de 2016
Pavilhão... ou Restaurante ?...

 

20160303 Domingos Bragança.png

Na cerimónia de abertura da jornada da Taça Davis, Domingos Bragança, o Presidente da Câmara, mostrava entusiasmado a Júlio Mendes, o renovado pavilhão Vitoriano. Armando Marques acompanhava-os...

Domingos Bragança - Então? O que me diz do pavilhão? De cara lavada é outra coisa. É ou não é?

Júlio Mendes - Pavilhão, Presidente? Vamos ver... Mas então isto não era um restaurante?

Domingos Bragança - Que eu saiba, foi sempre um pavilhão... Mas você devia saber. Afinal você é ou não é o Presidente do clube?

Júlio Mendes (surpreendido) - Sim, claro que sou. Mas vamos ver... eu ia jurar que isto era um restaurante...

E virando-se para o lado, procurou a confirmação no seu Vice-Presidente - Não era aqui que serviam aqueles croquetes muito bons, ó Armando? Aqueles que nós vínhamos comer quando cá vinham os dirigentes do Benfica...

Armando Marques - Era pois. Era quando eles vinham cá com aqueles guarda-costas muito altos. De dois metros de altura. Alguns até com mais do que isso...

Domingos Bragança (não conseguindo evitar uma sonora gargalhada) - Não eram guarda-costas. Deviam ser os jogadores de básquete. E enquanto vocês comiam os croquetes, havia um jogo a decorrer.

Júlio Mendes (incrédulo) - A sério? Por isso é que os do Benfica não ficavam muito tempo nos croquetes. Deixavam-nos sempre a comer sozinhos. (e entre-dentes) Se calhar iam ver o jogo...

Júlio Mendes (virando-se novamente para Armando Marques) - Mas então, isto foi sempre um pavilhão! Ó Armando, tu sabias que nós tínhamos um pavilhão?

Armando Marques (sacudindo a água do seu capote) - Se tínhamos, a culpa não é minha.

Júlio Mendes (já com a sua máquina registadora mental em pleno funcionamento) - Vamos ver... Se o pavilhão é nosso, então se calhar podíamos era vendê-lo... até à própria Câmara... Você não o quer comprar, Presidente?

Armando Marques (esfregando as mãos de contentamento) - Boa, Júlio!...

Domingos Bragança - Comprar o pavilhão? Que disparate! Vocês deviam era aproveitar o facto de a Câmara o ter recuperado, para apostar mais nas modalidades.

Júlio Mendes (desiludido) - Pois... Vamos ver... Se temos mesmo de ficar com ele, então podíamos criar umas modalidades como o basquetebol, o voleibol, artes marciais... enfim, aproveitar estas magníficas instalações. E virando-se de novo para o seu Vice-Presidente - E não daria para o alugar a essas novas modalidades, Armando?

Armando Marques - Boa ideia, Júlio!

Domingos Bragança (siderado com o diálogo a que estava a assistir) - Mas o Vitória já tem essas modalidades...

Júlio Mendes - Já temos? Vamos ver... Mas então não é só o futebol que nós temos, Armando?

Armando Marques (respondendo baixinho, de modo a que apenas Júlio Mendes o pudesse ouvir) - Claro que sim. Se tivéssemos mais modalidades, achas que eu não sabia?  Não ligues, Júlio. Eu acho que o Presidente está a gozar connosco...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 09:43
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Terça-feira, 1 de Março de 2016
As línguas bífidas do lagarto "Leão"...

20160301 Lagarto «Leão».png

O leão que Bruno de Carvalho fez renascer com a sua chegada ao Sporting, não foi propriamente um leão autêntico, daqueles com pêlo e juba, e muito menos o felino que desde tempos imemoriais tem sido considerado como sendo o Rei da Selva.

Aquilo que o actual Presidente do Sporting fez renascer em Alvalade, foi apenas um réptil com a pele escamada e listada de verde e branco, um lagarto a quem ele maliciosamente deu o nome de... "Leão", e com quem ele assim vai conseguindo iludir os mais crédulos dos sportinguistas (e apenas estes).

O facto de se tratar de um lagarto-de-gola (espécie australiana que abre uma exuberante gola para intimidar os seus inimigos), ajuda a iludir esses adeptos, que assim tomam essa gola pela juba de um leão.

Com Bruno de Carvalho, o lagarto já tinha nascido com uma língua bífida, comprida, maledicente e venenosa, mas com a chegada de Jorge Jesus e Octávio Machado, o "Leão" passou a ter três. Três línguas igualmente bífidas, compridas, maledicentes e venenosas, qual delas a mais viperina.

Aquilo com que nenhum deles contava, era com o que os esperava em Guimarães.

De visita ao Dom Afonso Henriques, o lagarto "Leão" perdeu os seus três pios de uma só vez.

Assim mesmo... em Guimarães, cortou-se-lhes o pio aos três, com uma machadada só...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 21:06
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016
Paulo Fonseca, o reinventor do futebol...

20160223 Paulo Fonseca.png

 

Paulo Fonseca é um técnico brilhante.
No jogo de Domingo contra o Vitória, desenhou um esquema táctico absolutamente inovador - o 2-4-3-3. E na baliza... 2 guarda-redes.
Beneficiando da vantagem de poder contar com 14 jogadores na equipa inicial, o treinador bracarense resolveu reforçar apenas o seu sector defensivo. Paulo Fonseca ainda poderia contar com João Capela (o 4º árbitro), mas parece que terá abdicado da sua utilização.
Deste modo, colocou os dois árbitros auxiliares atrás da sua defesa, atribuindo a Paulo Soares e a Pedro Felisberto o papel dos velhos líberos dos anos 70. Na baliza, o técnico Paulo Fonseca colocou o árbitro principal, como 2º guarda-redes, atrás de Marafona. Competia assim a Fábio Veríssimo colmatar as eventuais falhas de Marafona.
A verdade é que o esquema táctico de Paulo Fonseca desde muito cedo começou a dar os seus frutos.
Marafona não esteve nos seus melhores dias e por ele passaram 6 bolas ao todo, Não fosse Fábio Veríssimo a impedir que 3 deles se transformassem em golos, e o Sporting de Braga teria saído do Sambódromo vergado por uma derrota humilhante.
O jogo correu bem a Paulo Fonseca, mas apenas no plano técnico-táctico.
No plano pessoal, correu-lhe mesmo bastante mal, uma vez que acabou por levar com as 3 bolas que passaram pelos dois guarda-redes.
Só mesmo a violência desses 3 impactos na cabeça de Paulo Fonseca pode explicar os disparates que disse no final do jogo...

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 22:50
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Sábado, 20 de Fevereiro de 2016
ÚLTIMA HORA !...

 

20160220 Comunicado SAD.jpg



publicado por Miguel Salazar às 19:31
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2016
Professor de História precisa-se... em Bracara Augusta...

Jean-Pierre "Astérix" Barrientos

(o cartoon representa Jean-Pierre Barrientos que resolveu alinhar na brincadeira dos bracarenses, fantasiando-se de Astérix para aviar um Gverreiro-Legionário, nos quartos-de-final da Taça de Portugal de 2012/2013, que acabaríamos por vencer)

 

O Sporting Clube de Braga foi fundado na 3ª década do século XX, mas só no século XXI acordou para o futebol.

Nasceram como filial do Sporting. Mudaram de emblema e de cores nos anos 40, assumindo a paixão que o seu então Presidente nutria pelo Arsenal de Londres. Desde essa altura, nunca mais deixaram de ser apaixonados pelo Benfica, embora mais recentemente tenham esboçado um fugaz derriço pelo FCPorto.

Depois de uma longa história de consecutivas e variadas paixões pelo sucesso alheio, resolveram mais recentemente criar a sua própria tradição e cultura. Foi assim que foram descobrir a sua origem romana a Bracara Augusta. Assumiram então essa origem e arranjaram até uma claque com um nome nela inspirado, embora sem conseguir resistir a baptizá-la com um nome anglo-saxónico, muito de acordo com a tal origem romana. Chamaram-lhe "Bracara Legion" e é composta não por Legionários como seria suposto, mas sim por "Gverreiros". Na semana passada organizaram a sua primeira Gala, para o que criaram, como troféus, uns capacetes dourados muito bonitos,... mas gregos. Quanto aos tais "Gverreiros do Minho", que deveriam ser Legionários mas que afinal são guerreiros, esses comportam-se demasiadas vezes como verdadeiros Vândalos.

Misturar Romanos com Gregos, Anglo-Saxónicos e até com Vândalos, só encontra mesmo par na profusão de nacionalidades que grassa no actual plantel do clube, pejado de Brasileiros, Russos, Franceses, Noruegueses, Angolanos, Belgas, Espanhóis, Montenegrinos, Nigerinos, Nigerianos, Guineenses, Sérvios, Egípcios, Senegaleses, Colombianos e Ganeses... (ufa !!!)...

Mas que enorme confusão histórica se está a fazer por estes dias em Bracara Augusta.

Dão-se alvíssaras a quem lhes arranjar um Professor de História. Se bem que duas dúzias de intérpretes também não haveriam de ser enjeitados...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 18:02
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2016
Ovo cozido, à moda da Costa do Marfim...

20160210 Bouba Saré.png

 

Iker Casillas pôs o ovo e Bouba Saré cozinhou-o.

Quanto ao ovo em si, pensava-se que era de galinha, mas com aquele tamanho todo, só pode mesmo ser de perú...



publicado por Miguel Salazar às 20:57
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2016
Henrique... dourado...

20160106 Henrique Dourado.png

Henrique Dourado. Finalmente dourado.

Sim, porque até há bem pouco tempo, era apenas... bronzeado...



publicado por Miguel Salazar às 00:27
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Domingo, 3 de Janeiro de 2016
Carlos Xistra renovou, jogou... e facturou...

20160103 Carlos Xistra.png

Carlos Xistra renovou com o Sport Lisboa e Benfica, e já jogou este Domingo, no estádio Dom Afonso Henriques, contra o Vitória Sport Clube.

Jogou... e facturou...

Como habitualmente, Xistra jogou com a camisola nº 12 pois, ao contrário da maioria das restantes equipas, o público benfiquista é apenas o 15º jogador. É que, na equipa da Luz, para além da camisola 12, as 13 e 14 também já têm o seu dono...

 

POST SCRIPTUM: Ao que já se pode ver pela camisola de Xistra, a Fly Emirates também já não é mais o patrocinador principal do clube...

 

(caricatura publicada no blogue Depois Falamos)



publicado por Miguel Salazar às 22:59
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015
João Miguel Silva...

20151209 João Miguel Silva.png

 

O Vitória foi um obstáculo grande demais para o Rio Ave de Pedro Martins.

Octávio, Xande Silva e Henrique Dourado foram imparáveis.

João Miguel Silva foi quase intransponível. Só mesmo um remate daqueles, fortuito e sem qualquer possibilidade de defesa, seria capaz de bater o nosso guarda-redes.

Com 20 anos apenas, o nosso jovem guarda-redes faz-me lembrar Vítor Baía que, com a mesmíssima idade, se conseguiu impôr na baliza do FCPorto. E se o portista sentou Młynarczyk no banco, a tarefa do Miguel Silva não era mais fácil. Douglas de Jesus é ele também um excelente guarda-redes.

O futuro de João Miguel Silva pode ser risonho; assim ele saiba manter-se humilde e empenhado... tal como Vítor Baía fez em iguais circunstâncias...



publicado por Miguel Salazar às 20:35
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2015
Luís Esteves...

Luís Esteves

 

 

 

 

 

 

 

Luís Miguel Mesquita Esteves nasceu em Guimarães, a 31 de Dezembro de 1975.

Como guarda-redes, Luís Esteves defendeu as cores (e as redes) de Vitória, Vizela, Pevidém, Trofense, Vila Meã, Águias de São Romão e Gonça.

Mas foi como Treinador de Guarda-Redes que se notabilizou... mundialmente.

É licenciado em Educação Física, tem dois Mestrados (em Ensino de Educação Física e em Ciências do Desporto) e um Doutoramento em curso (em Ciências do Desporto no Treino de Guarda-Redes, pela Universidade de Vigo). É provavelmente o único português a ter o Curso da UEFA de Treinadores de Guarda-Redes (ministrado pela SFA - Scottish Football Association).

O Prof Luís Esteves começou por treinar os guarda-redes da formação do Vitória, entre 2004 e 2007. Em 2007/2008 trabalhou no Al-Salmiya (Koweit). Voltou então ao Vitória, para assumir a função de Coordenador dos Treinadores de Guarda-Redes de toda a formação, até à época de 2009/2010. Entre 2010 e 2012 foi Formador Técnico da Real Federación Española de Fútbol, acumulando essas funções com as de Treinador de Guarda-Redes, sucessivamente nos Sauditas do Al-Ittihad (2010/11) e do Al-Nassr (2011/12). Em 2012/2013 regressou de novo ao Vitória, desta feita para assumir as suas funções ao serviço da equipa A.

Preparou os guarda-redes espanhóis de sub-19 que nesse mesmo ano (2012) haveriam de ser Campeões Europeus da categoria, e conquistou a Taça de Portugal de 2012/2013, ao serviço do seu clube do coração - o Vitória.

O Prof Luís Esteves é o único português que até hoje foi distinguido, pela Real Federación Española de Fútbol, com o Prémio Las Rozas (de Mérito Desportivo)...

 

Fernão Rinada



publicado por Miguel Salazar às 19:28
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Domingo, 8 de Novembro de 2015
"Natal é quando um homem quer"...

20141226 Pai Natal Júlio Mendes.png

 

Há um aforismo popular que diz que "Natal é quando um homem quer".

Para Júlio Mendes sempre assim foi... e continua a ser. Desde que é Presidente do Vitória, não se tem cansado de brincar ao Pai Natal, oferecendo jogadores a granel. Jogadores e treinadores também.

Este cartoon tem quase 1 ano, e foi desenhado numa altura em que já era fácil prever as ofertas que Júlio Mendes tinha em mente. Dos que estão dentro do saco, já foram quase todos oferecidos à concorrência. Falta apenas um. Um dia, também esse acabará por sair. Ele bem se tem oferecido, mas parece que ninguém o quer. Se calhar ainda vamos ter de pagar para alguém o levar. Mas quando esse dia chegar, aí eu terei finalmente o meu dia de Natal fora da data.

Se realmente for verdade que "o Natal é quando um homem quer", então eu também quero o meu dia de Natal... e de preferência já, antes que o meu clube acabe vulgarizado e humilhado, com o futebol na 2ª Divisão e sem as suas modalidades...

 

Miguel Salazar



publicado por Miguel Salazar às 00:05
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Sábado, 10 de Outubro de 2015
o Ferrari, o Lamborghini e o Carocha "Ferdie"...

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Basquetebol, pré-época 2015/2016. Na Capital do Império...

Luís Filipe Vieira - Bom dia, Carlos.

Carlos Lisboa - Bom dia, Presidente.

LFV - Então, Carlos? Este ano vamos voltar a ser Campeões Nacionais, ou não? Não quero que te falte nada... hum... hum... Tens aqui um carrinho-de-mão cheiinho de dinheiro para gastar. Compras o novo Ferrari F488 Spider de 670 cavalos, e arrasamos a concorrência... hum... hum... O que eu quero mesmo é que esta grande instituição nacional que é o Sport Lisboa e Benfica vença tudo este ano... hum... hum... Ok?

CL - Claro, Presidente!

LFV - E se precisares de mais alguma coisa... hum... hum... é só dizeres. Com o Loncovic e o Oliveira, a juntar ao Andrade e ao Mário, já ficas com uma bela cavalagem para o motor do Ferrari, mas se precisares de mais algum, já sabes, só precisas de dizer...

 

Entretanto, mais a Norte, na Cidade Invicta...

Pinto da Costa - Bom dia, Moncho.

Moncho López - ¡Hola, Presidente!

PdC - Entom, Moncho? Este ano támos a apostar fuorte no regresso à competissom. O Futebol Clube do Porto tem de ser Caumpiom, carago. Tens aqui um cesto-de-fruta cheio de euros pra gastar à Lagardère. Cuompras um Lamborghini Aventador de 700 cabalos e até os comemos, carago. Nós temos de ser Caumpiões, tás a oubir?

ML - ¡Por supuesto, Presidente!

PdC - E se precisares de mais alguma coisa, é só dizeres. Já sacamos o Silba ao carro do Fernaundo Sá, bamos tentar sacar o Fuonseca ao dos laumpiões e já temos os americanos. Ficas com uma cabalage do carago no motor do Lamborghini, mas se precisares de mais algum, já sabes, carago, só precisas de dizer, ca gente bai sacá-los uonde for preciso. Penso eu de que...

 

Ao mesmo tempo, no Berço da Nação...

Júlio Mendes - Bom dia, Hélder.

Fernando Sá - Hélder?... Eu sou o Sá, o Fernando Sá. O Hélder Freitas é o do pólo aquático...

Armando Marques, tentou aligeirar o equívoco - Pois claro... este é o Sá. E virando-se para o treinador... E então, este ano vamos conseguir vencer o Campeonato A1, ou não?

FS - "A1"? Isso é melhor perguntar ao Allan Cocato.

AM - Mas você não é o treinador do andebol?

FS - Não. Eu sou o treinador do basquetebol. O Allan é do voleibol e, que eu saiba, o Vitória nem tem andebol.

JM ficou feliz com a constatação - Não temos andebol? Mas isso é muito bom, ó Armando. Assim poupamos dinheiro. Por outro lado... (pensativo) ... são menos jogadores para vender.

AM continuou, fazendo conversa - E que tal? Acha que vamos ser Campeões?

FS - Eu acredito que sim, que vamos vencer!

Era a deixa de que JM estava à espera - E para isso, Mister, tem aqui a chave deste formidável Carocha...

FS interrompeu JM - Eu acho que preferia aquela, Presidente... (tentando alcançar a chave de BMW que AM tinha na mão)

AM quase saltou, escondendo a chave de imediato...

- Nem pense! O M3 é prós meus proteg...

JM interrompeu-o bruscamente, aflito - Pois, eu também gostaria... (lançando um olhar terrível de desaprovação a AM, fez uma pequena pausa, procurando desesperadamente uma saída) ... mas o BMW M3 saiu ao futebol. Não que nós façamos alguma diferença entre as modalidades. Para nós, são todas iguais. Sorteamos os carros, sabe? E o BMW saiu ao futebol. Caprichos da sorte. Foi ou não foi, Armando? (piscando-lhe o olho)

AM confirmou prontamente, retribuindo-lhe a piscadela de olho - Claro que sim! Completamente à sorte. Mas não fique desanimado. Este Carocha é um luxo. É em décima sétima mão, mas está como novo. Só tem 1 milhão e 650 mil km, imagine.

JM prosseguiu - Mandamos pintar-lhe o nº 53 e estas riscas no capot... parece mesmo o "Herbie" dos filmes. Até lhe pode chamar "Ferdie", se quiser.

E AM acolitou - "Ferdie" de Fernando, está a ver? É uma máquina, este carocha. 54 cavalos! E se lhe meter um ou outro sul-americano, então... ui ui!... brasileiro, argentino, colombiano...

JM ressalvou de imediato, apreensivo - Não gaste é mais do que tem...

FS - Os sul-americanos são bons é no futebol. No basquetebol são mais os norte-americanos.

JM - Ah, pois... o basquetebol. Isso é aquilo que se joga com as mãos, não é?

FS entusiasmou-se com o comentário. Afinal... - Exactamente!

AM - Sete de cada lado...

O entusiasmo de FS esfumou-se num ápice - Não... isso é o andebol.

JM, magnânime, falava agora do alto da sua sapiência - Isso também não é bem assim. No futebol também dizem que são onze de cada lado, e às vezes ouço falar em equipas que jogam com doze. E um deles nem sequer está em campo, parece que joga na bancada. É o que eu ouço dizer, enquanto vou comendo croquetes. Portanto as coisas não são bem assim "sete de cada lado" ou "onze de cada lado"... Mas isso agora também não interessa nada. Eu quero é vender. Você tem alguma coisa para eu vender, ou não?

FS estava estarrecido com a surrealidade da conversa.

E AM, impaciente, já só pensava em abreviá-la - Bem, o mais importante é que este ano já não há razão para não se ganhar a corrida. Um Volkswagen 1200 dos anos 60, não é para todos. Ainda por cima, quase novo! E se for preciso, ainda podemos...

JM interrompeu AM, aflito - Mais dinheiro é que não há...

AM continuou - ... ainda podemos ir ao Porto arranjar uma pileca ou até um potrozito que esteja a precisar de fazer exercício. O Lopetegui tem para lá muita coisa que não usa...

FS nem acreditava no que ouvia - O Lopetegui???

E JM concluiu - Claro, Mister. Ao fim e ao cabo, eles ainda nos devem alguns favores. A verdade é que lhes temos mandado muitos puro-sangue lusitanos nestes últimos tempos. Os melhores que temos tido, e quase oferecidos...

 

José Rialto



publicado por Miguel Salazar às 13:52
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2015
O Vitória no tempo do foot-ball (1927-1932)...

(continuação de outro texto, que poderá ler aqui)

 

Criado no Outono de 1922, no início de 1927 o Vitória Sport Clube era uma agremiação desportiva em vias de consolidação e em condições de começar a disputar a hegemonia do seu principal rival no distrito, o Sporting Clube de Braga. Tinha resolvido o problema das instalações, ganhara “músculo” após a fusão com o Atlético Sport Clube, acabara de vencer o campeonato distrital de infantis. O futuro apresentava-se promissor. Todavia, os tempos que se seguiram foram, em tudo, o contrário do que seria previsível: durante cinco longos anos, o Vitória entrou num processo de declínio que parecia anunciar a sua extinção e o futebol, enquanto modalidade de competição, deixou de ser praticado em Guimarães.

Os sinais da crise já eram visíveis nos primeiros dias de 1927 e estão descritos na página de desporto de A Razão, o jornal republicano onde colaborava Heitor da Silva Campos, fundador e presidente do então já extinto Atlético Sport Clube, de quem falaremos mais à frente. Essa secção desportiva aparecia com uma ambição declarada: fazer prevalecer o desporto em Guimarães, suster-lhe o declínio e erguê-lo de novo à culminância a que tem direito. Num texto programático, assinado por um tal Siul, em que se procurava responder à pergunta: como compreender o constante progresso do “Desporto” em todo o nosso país e como permitir a sua decadência em Guimarães?. Aí ficaram registadas as dificuldades que estrangulavam o desenvolvimento do desporto vimaranense, contrariando “os enormes sacrifícios de meia dúzia de rapazes cheios de boa vontade”, como Afonso da Costa Guimarães, Heitor da Silva Campos, Gualberto Pereira, Eduardo Passos e António Macedo Guimarães”, e se apontaram as causas daquela “quase decadência”: a apatia e as dificuldades financeiras, “o problema que a todos assusta e faz medo”. Segundo o articulista, não bastava que a direcção do Vitória se desse por satisfeita em pôr dinheiro do seu bolso. Impunha-se o apoio dos poderes públicos, nomeadamente da Câmara Municipal, à imagem do que se via acontecer noutras terras. Para tanto, seria necessário que os directores do clube fossem mais lestos e mais “fura-paredes” na busca de soluções para os problemas com que se confrontavam. Mas, ao que se percebe, também eles já estariam contaminados pela apatia geral.

Num segundo artigo, no mesmo número da A Razão, o comentador desportivo que assinava com o pseudónimo de Penalty, batia na mesma tecla: “que o sport em Guimarães atravessa uma crise acentuada, e entrou em franca decadência” era uma verdade reconhecida e incontestável. Segundo o jornalista, 1926 marcou, indiscutivelmente, o declínio desportivo no meio vimaranense, a contracorrente do que se via acontecer por todo o lado:

Quando em toda-a-parte, no país como no estrangeiro, nos grandes centros como nas mais humildes terreolas, o sport avança e progride, embora à custa de sacrifícios por vezes bem pesados, Guimarães que teve também já um período de relativo progresso desportivo, recua, cede terreno, e entra numa fase regressiva inexplicável.

O autor apontava dois motivos principais para a situação a que se tinha chegado: “a apatia dos dirigentes desportivos e a falta de apoio e de auxílio da massa do público”, sendo que o primeiro motivo era a razão de ser do segundo (o desmazelo da Direcção do Vitória acarretou também, e em larga escala, o desinteresse, o arrefecimento, o desânimo da massa popular pelas coisas desportivas).

E era impiedoso em relação à actuação da direcção do clube:

No dia em que os dirigentes desportivos desta terra, que se encontram à frente da Direcção, encarem a sério e com vontade o seu papel de dirigentes e não de comparsas, trabalhando a valer e com ânimo, o sport em Guimarães tornará aos seus dias de esplendor.

Nada disto se tem feito, porém. Lamentámos até que criaturas tão respeitáveis como as que se encontram à frente daquele clube não reconheçam a triste e inglória figura que estão fazendo e que nada depõe em seu favor. Tendo por eles uma consideração ilimitada, esta não nos desobriga, antes pelo contrário, do dever que temos de falar a direito, por forma a que nos ouçam e atendam as reclamações e os queixumes daqueles que, como nós, não compreendem a razão deste marasmo, deste desmazelo desportivo em que se vai vivendo uma vida artificial, sem finalidade, sem grandeza.

A Direcção do Vitória tem o dever de trabalhar, e não de fingir que trabalha. Quem aceita cargos da natureza daqueles que os membros do Vitória aceitaram, sem coacções, antes por livre e espontânea vontade, ou trabalha a valer dando satisfação à confiança que outros neles depositaram e correspondendo ao compromisso moral que contraíram para com o Club ao aceitarem o encargo, ou então recolhem-se a casa, a tratar doutros assuntos em que sejam mais diligentes.

Na edição do Pro-Vimarane da primeira quinzena de Maio de 1927, o cronista desportivo, que assinava com o pseudónimo Luar, lançava um apelo: “abandonemos, pois, a inércia, a indolência, a preguiça, o sono — e mãos à obra. Vamos fazer saber de Norte a Sul, que Guimarães dentro em pouco, vai educar fisicamente os seus compatriotas”.

 

O último jogo no campo da Perdiz

Por aqueles dias, o Vitória recuperara a designação de Sport Club de Guimarães e era administrado por uma direcção provisória, que parecia empenhada em arrumar a casa, chegando a anunciar que tinha riscado de sócios todos os que tinham quotas atrasadas há mais de quatro meses, os quais seriam readmitidos se regularizassem a sua situação na Chapelaria Macedo até ao final do mês de Maio. Porém, nem os apelos ao despertar desportivo vimaranense, nem a acção dos directores do Vitória produziriam os efeitos desejados.

Outras causas eram apontadas para a decadência do futebol em Guimarães. Uma delas tinha a ver com a falta de organização e de disciplina dos jogadores do Vitória dentro das quatro linhas. Numa crónica de A. S. Lobo, publicada na Velha Guarda em Outubro de 1928, notava-se que a receita para o sucesso dentro do campo era a figura do capitão, “um homem a quem se obedece, para haver, em campo, ou fora dele, o máximo respeito. Porém, em Guimarães não era assim. Em vez de mandar um, mandavam todos. Da ausência de uma voz de comando que se fizesse ouvir e respeitar teria resultado a decadência do desporto favorito dos vimaranenses. O que faltava ao Vitória era a figura tutelar do treinador.

A direcção do Vitória Sport Clube tivera, a seu tempo, consciência dessa deficiência, tendo sido noticiado, em Março de 1927, que iria encetar negociações a fim de conseguir um entraineur experimentado para o seu clube. A notícia está no Ecos de Guimarães, com o seguinte comentário:

Há muito que esta necessidade se impõe. Havendo, como há, entre nós, rapazes de boa vontade, com indiscutíveis aptidões, chega a causar mágoa vê-los jogar sem uma orientação definida, à mercê do capricho de cada um. Creia a direcção do Vitória que o conseguir-se esse entraineur será o primeiro e mais seguro passo para o sport em Guimarães tornar a ter uma época de esplendor e de grandeza.

Porém, não seria ainda nessa altura que o Vitória encontraria o seu primeiro treinador. As tentativas de ressurgimento do clube desenvolvidas pela direcção do Vitória não tiveram qualquer sucesso. Longo seria o ocaso que se seguiria. Extinto o fulgor dos primeiros anos, Guimarães deixou de ter representante nos campeonatos distritais e o futebol foi-se apagando das páginas dos jornais da terra.

O último jogo no Campo da Perdiz de que temos notícia aconteceu no dia 19 de Fevereiro de 1928. Era Domingo Gordo, mas a assistência, o jogo desenvolvido e o resultado foram magros. Defrontaram-se, em desafio amigável, as primeiras equipas do Sport Clube de Guimarães e do Estrela Sport Clube, de Braga. A equipa vimaranense, que não pode contar com três dos seus melhores elementos (Constantino, Ferreira e Abílio), jogou remendada com reforços de Vizela, alinhando com Zeferino; F. Ribeiro e Benjamim (cap.); Mário, Fernandes e Costa; Salgado, M. Ribeiro, Oliveira, Silvério, Albano. O jornal O Conquistador publicou um curioso relato do jogo, onde avaliava a prestação das equipas. Sobre a performance dos vimaranenses, escreveu o cronista:

Zeferino nada teve de extraordinário; a bola que deixou entrar não tem desculpa possível. Chutada com pouca força, mergulhou tardiamente e de barriga para baixo, o que é um erro. F. Ribeiro, um elemento de Vizela que jogou aqui pela primeira vez, agradou plenamente no seu lugar de back. Benjamim bem no princípio, decaiu no final. Mário e Costa bem. O primeiro precisa de variar o seu jogo, não se limitando só a passar jogo à sua ponta. Para o final os de Braga já lhe conheciam essa maneira de jogar. Fernandes, fraco. Salgado bem, só com o defeito de jogar muito atrasado. M. Ribeiro, o melhor de todos os jogadores em campo. Oliveira, deslocado do seu lugar, não conseguiu brilhar. Silvério outro elemento de Vizela, fraco, muito fraco mesmo, fazendo-se notar só pela maneira como se coloca. Albano, mal.

 

Automobilismo, ciclismo e gincanas de jericos

Daí para a frente, só teremos notícia do Campo da Perdiz enquanto palco de torneios de tiro aos pombos que, com a nova moda das gincanas, as corridas de bicicletas e o automobilismo viriam preencher o espaço deixado vago pelos jogos de futebol nas tardes de domingo. Por aqueles dias, as gincanas na parada das novas instalações dos Bombeiros, recentemente inauguradas no Proposto, eram a coqueluche da moda no que toca a espectáculos desportivos. Com percursos e obstáculos cuidadosamente preparados, havia-as de automóveis, de bicicletas, de motocicletas, de patins e, até, de jericos. Funcionavam como meio de distracção pública e fonte de receita para a corporação dos Bombeiros Voluntários. A primeira gincana, para veículos automóveis, teve como vencedores Belmiro Jordão, na categoria masculina, e a sua irmã Júlia Jordão, na categoria feminina. Belmiro Jordão viria a destacar-se como piloto desportivo, o que levaria o jornal Velha Guarda a vaticinar, no seu número de 14 de Setembro de 1930, que o seu nome ficará gravado nos anais desportivos da nossa terra e marcará acentuadas honrarias para a velha Vimaranis”. Como curiosidade, registe-se que a primeira gincana de jericos de Guimarães aconteceu no dia 2 de Junho de 1929 e teve como vencedor um jumento montado por José Gilberto Pereira. Os restantes lugares no pódio foram ocupados por José António Martins Sequeira Braga e António Freitas.

No Outono de 1928, anunciou-se em Guimarães a fundação de um novo clube desportivo que nascia para despertar as energias mortas, colocando Guimarães, em matéria de desporto, a par das cidades congéneres. Ao dar a notícia, o Ecos de Guimarães de 3 de Novembro, testemunhava que devido à boa vontade que vemos pulsar no coração moço desses rapazes cheios de boa vontade e entusiasmo, que não se pouparão a sacrifícios para levarem por diante tão simpática iniciativa. Nascia o Grupo Desportivo Atlético Português, liderado por Humberto Guimarães Pinheiro. Quando se anunciava que procurava uma casa para instalar a sua sede, Rui Lencastre sugeria, nas páginas dos Ecos de Guimarães de 10 de Novembro de 1928, que a prioridade deveria ser outra: o primeiro passo a dar seria antes o arrendamento do campo de jogos da Perdiz, que é relativamente barato, e que está sem arrendatário desde há tempos pela liquidação infeliz do grupo desportivo existente nesta cidade. Note-se que, naquela altura, o Vitória era dado como “liquidado”.

O Grupo Desportivo Atlético Português encontraria a sua sede, mas não seguiria o conselho de Rui Lencastre, que afirmara que “não se pode compreender um grupo com esta finalidade sem um campo de jogos: é o mesmo que um corpo sem pernas, ou um livro sem folhas”. O Campo da Perdiz não seria arrendado e a esperança do ressurgimento do desporto em Guimarães, por obra desta agremiação, seria gorada. O Desportivo Atlético não seria mais que um fogo-fátuo: a única iniciativa que lhe conhecemos é a da festa da inauguração do retrato do seu presidente, descerrado na sua sede, com um copo-de-água e entre brindes entusiásticos, no dia 21 de Maio de 1929

Entretanto, o futebol voltara à sua anterior condição de divertimento do rapazio. Durante anos, as únicas notícias sobre o ludopédio que encontrámos nos jornais vimaranenses são pequenas notas de protesto contra grupos de rapazes acusados de perturbarem o sossego público com jogos de futebol, ora no Toural, ora noutros largos da cidade. Coisa de mariolões, a quem o trabalho não enobrece, como um dia se leu nas páginas do Comércio de Guimarães. A partida de Bernardino Faria Martins para o Congo Belga, em finais de 1928, para se dedicar à carreira comercial, também ajuda a explicar o apagamento do futebol das páginas dos nossos jornais. Assinando na crónica desportiva com o pseudónimo Sérgio Vidal, tinha sido, desde 1922, um dos principais promotores da causa do desporto, em geral, e do futebol, em particular, em terras de Guimarães.

 

Ressurgimento no Benlhevai

1932 seria o ano do renascimento do futebol em Guimarães. Em meados de Janeiro, a recém-criada Sociedade de Defesa e Propaganda de Guimarães, dirigiu à Comissão Administrativa da Câmara Municipal um documento, subscrita por várias instituições culturais, desportivas e de ensino, em que se demonstrava a conveniência da criação de um campo destinado ao desenvolvimento dos desportos, reputados úteis à educação física da juventude. A localização sugerida era a do Campo do Salvador, que nós hoje conhecemos por Campo de S. Mamede, não implicando mais do que pequenas obras de adaptação (uma ligeira terraplanagem e o levantamento de um parapeito, pouco mais que à altura do solo, marginando a estrada). O aparelhamento do campo, que o dotaria de balneário, vestiário, mictórios e bancadas, ficaria a cargo de uma empresa que nasceria para o efeito. Assim se criariam condições adequadas à prática de diferentes modalidades desportivas, ao mesmo tempo que se daria aos referidos terrenos uma aplicação inteligente, tirando-lhe aquele ar tão destoantemente maninho que oferecem, dada a sua incorporação nas balizas da cidade.

 

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No entanto, por aqueles dias já algo se movia em Guimarães. O Vitória Sport Clube, renascia das cinzas. A sua direcção, constituída por meia dúzia de rapazes que, segundo o recém-nascido Notícias de Guimarães, não nadavam em dinheiro, tendo em Carlos Machado o principal impulsionador, metia mãos a um grande empreendimento, e dotava Guimarães com um campo de jogos apto para a prática de várias modalidades desportivas. Situava-se dentro da cidade, a curta distância do Toural, num terreno arrendado entre a Casa do Proposto e a Escola Industrial, e seria o palco da recomposição do Vitória Sport Clube enquanto elemento central a identidade vimaranense. Esse seria o palco do ressurgimento do Vitória, que aí iria celebrar uma impressionante série de títulos de campeão distrital e tornar-se no primeiro representante do Minho no campeonato nacional de futebol.

O desafio inaugural do campo do Benlhevai aconteceu na tarde de 24 de Janeiro de 1932, sendo apadrinhado pelo Sport Comércio e Salgueiros, do Porto, e abrilhantado pela Banda da Oficina de S. José. O pontapé de saída simbólico, testemunhado por uma multidão de três mil espectadores entusiastas, foi desferido pela menina Crisanta Moura Machado. Das incidências do jogo encontrámos relato detalhado no Notícias de Guimarães. O Vitória alinhou com Adélio; Benjamim e Manuel Rita; Armando, Mário e António; Antunes, Velha, Constantino Lameiras, Camilo e Virgílio. Para a história ficou um resultado desequilibrado: Vitória, 1 – Salgueiros, 6. Apesar do desfecho desfavorável ao clube da terra, o desafio terminaria no meio da geral satisfação do público. Havia motivo para celebração: o futebol estava de regresso a Guimarães.

Dali para a frente, praticamente não haveria domingo sem futebol. Até ao final de 1932, o Vitória disputou quarenta jogos, 32 no Benlhevai, 8 fora de portas. Averbou 17 vitórias, 14 derrotas e 9 empates, marcou 75 golos e encaixou 85. Começava a ganhar balanço para o grande salto em frente que estava para acontecer.

No final da época futebolística de 1931-1932 (que, em Guimarães, foi pouco mais do que meia época, uma vez que tinha começado a 24 de Janeiro), o comentador desportivo de O Comércio de Guimarães, Francisco Formiga, fez o seu balanço dos 29 jogos realizados até 30 de Junho, produzindo estatísticas muito curiosas.

Embora a época de foot-ball fosse um pouco curta, motivada pelo pouco tempo que aqui o sport produz, não deixou de ser verdadeiramente interessante, escreveu o comentador. O Vitória realizou 21 jogos em Guimarães e 4 fora, contando 9 vitórias, 3 empates e 9 derrotas em casa e 2 vitórias, 1 empate e 1 derrota fora, contando-se 53 golos marcados e 2 sofridos. Por aqueles dias, o avançado Constantino Lameiras era o artilheiro mais eficaz da equipa, tendo marcado 29 golos, mais de metade dos golos somados pelo Vitória.

Mas o número mais revelador que ressalta da estatística do Comércio de Guimarães refere-se ao número de jogadores utilizados, que o cronista revela, com alguma ironia de permeio:

O Vitória desta cidade, embora durante a época tivesse conseguido resultados lisonjeiros para o seu nome e para a sua região, também alcançou um record brilhantíssimo, que, no meu entender, não pode ser igualado por qualquer Clube português, pois durante a época finda conseguiu que alinhasse pela sua primeira categoria 40 jogadores!

Eis o rol dos jogadores que alinharam pelo Vitória entre Janeiro e Junho de 1932: Ricoca, Elísio, Tintalão, Benjamim, Manecas, Martinho, Zeca Gaiteiro, Machado Reu; Médios: André, Cunha, A. Secândido, Constantino Lameiras, Mário, Hernâni, Mateiro, António Freitas, Camilo, Virgílio, Chico, Ferreira Labita, Neca Machado, Zeca das Taipas, Faria, Rita, Pina, Velha, Costa, Macedo, Queirós, Armindo, Elísio Carvalho, António Adelaide, Pantaleão, S. Braz, Paredes, Almeida Santos, Camisseiro, Sampaio, Fouces e Pepe. Para que se perceba a verdadeira dimensão deste número, convirá recordar que naquele tempo ainda não havia lugar a substituições durante os jogos de futebol, sendo as equipas constituídas por não mais do que os onze elementos que entravam em campo no início de cada jogo.

Segundo a contabilidade do cronista de O Comércio de Guimarães¸ naquele meio ano o Vitória nunca repetiu a mesma equipa, tendo alinhado com o seu equipamento alvinegro nada mais de 3 guarda-redes, 6 defesas, 9 médios e 22 avançados, o que daria para formar três “teams” com idêntico valor. Esta inconstância era reveladora de que ainda resistia um dos obstáculos que estiveram na base do longo ocaso do Vitória, que se estendeu entre 1927 e 1932: a ausência de uma voz de comando com força e conhecimentos suficientes para se fazer respeitar. O Vitória ainda não encontrara a figura do treinador.

Concluía o jornalista:

Diante do Vitória vejo um futuro que, não só o honrando, honrará a terra de Afonso Henriques. Mas, para isso é preciso que sejam eliminadas algumas deficiências.

 

Futebol e identidade local

Por aqueles dias, ia em crescendo o entusiasmo com o futebol. O campeonato de Portugal foi particularmente renhido e a final, realizada a 3 de Julho, entre o Belenenses e o Futebol Clube do Porto, terminou com um empate a quatro bolas. Houve necessidade de uma finalíssima, que aconteceria duas semanas depois, em Coimbra. Este jogo, mais do que um encontro entre duas equipas de futebol, uma do Porto, outra de Lisboa, foi assumido como um confronto entre o Norte e o Sul do país. E as terras do Norte estavam do lado do F. C. Porto. De Guimarães partiram muitas dezenas de aficionados, boa parte deles numa camioneta alugada, representando a sua cidade numa vibrante manifestação de apoio aos representantes da sua região. Entusiastas, defensores acérrimos do Porto, que o mesmo é que dizer do Norte, eles lá foram levar-lhes com a sua presença e entusiasmo, o apoio moral que encoraja e torna heróis os mais pusilânimes, noticiava O Comércio de Guimarães. Segundo as notícias, naquele dia em Guimarães viveram-se horas de ansiedade, aguardando por notícias, que chegariam por telegrama, desencadeando manifestações de regozijo e entusiasmo. O Futebol Clube do Porto vencera o campeonato de Portugal, derrotando o Belenenses por 2-1.

Os jogos de futebol começavam a afirmar-se como algo mais do que simples disputas desportivas, para se tornarem também em manifestações de afirmação local e regional.

A componente “patriótica” dos desafios de futebol viria ao de cima quando, menos de dois meses depois, o Vitória enfrentou o Futebol Clube do Porto pela primeira vez. O jogo foi marcado para 11 de Setembro e teve lugar no parque das Fontainhas, na Vila das Aves. Gerou grande mobilização entre os vimaranenses, a ponto de se organizarem comboios especiais entre as estações de Guimarães e de Negrelos. Dizem os relatos dos jornais locais que o jogo se pautou por certo equilíbrio, e que o Vitória acabaria vencido pela sorte e pela arbitragem. O cronista de O Comércio de Guimarães confidenciaria: cheguei a ter a impressão que o Vitória iria regressar à sua fidalga cidade como vencedor, visto o seu esplêndido jogo nos primeiros 20 minutos. Mas essa impressão não se confirmou e os de “calções de seda” venceram com um contundente score de sete bolas sem resposta.

Este jogo faria correr alguma tinta nos jornais vimaranenses, não tanto pelo resultado, mas pelo comportamento de parte dos espectadores vimaranenses, que cuidaram mais  de apoiar o adversário do que o clube da sua terra. O cronista F. Formiga lavrou o seu protesto contra esta atitude, notando que se é certo que quando da luta “pró campeonato” o Norte se uniu para apoiar o F. C. do Porto, é porque nessa altura ele era o legítimo representante do Norte, e hoje era nosso inimigo, e que que do apoio de todos os seus conterrâneos dependia uma parte da vitória, que encheria de honra a terra de Afonso Henriques. Era o futebol a afirmar-se como esteio fundamental da identidade local. Já não era só o virtuosismo dos jogadores e a qualidade do jogo de equipa que entrava em campo em cada jogo de futebol. Era também a honra e a glória de toda uma cidade.

 

O primeiro clube “da província”

O processo de reconstrução do Vitória e da sua afirmação como o principal clube da província não estaria isento de acidentes. Faltava-lhe, além de treinador, estabilidade directiva. O mais activo dos membros da sua comissão administrativa na construção do campo do Benlhevai, Carlos Machado, afastara-se e, com António Andrade, fundara um novo clube, o Sporting Clube de Guimarães, que teria uma existência efémera. O seu baptismo em campo aconteceu em Esposende, no dia 30 de Julho de 1932. Para a pequena história ficou um resultado volumoso: o Sporting vimaranense foi derrotado pelo clube da casa por 16-1 e, ao que parece, por aí se ficou.

Em Outubro de 1932 foi designada uma nova comissão administrativa do Vitória, presidida por Heitor da Silva Campos, de que faziam parte Isaías Vieira de Castro, Francisco Pinto Rodrigues, Amadeu da Costa Carvalho e Eduardo Pereira do Santos. Heitor Campos, que tinha sido presidente do Atlético Sport Clube, seria o responsável pela estabilidade do clube e pela sua caminhada ascendente nos tempos que se seguiriam. Não foi por acaso que os responsáveis pelo Suplemento Desportivo do Notícias de Guimarães o homenagearam logo no seu primeiro número, de 27 de Novembro de 1932, apelidando-o de salvador do Vitória Sport Clube.

A bem da justiça, tal título deveria ser repartido com Carlos Machado e com outros vimaranenses de condição humilde. Foi graças ao seu esforço e ao seu sacrifício que Guimarães voltou a ter condições para a prática de futebol de competição, com a instalação do campo do Benlhevai. Criadas essas condições, o passo seguinte seria a recomposição institucional do Vitória, dotando-o duma estrutura organizativa que lhe permitisse afirmar-se no contexto desportivo regional e nacional. Este processo seria tomado em mãos por personalidades oriundas de uma certa elite social vimaranense que então acompanharam Heitor Campos.

Para que o Vitória funcionasse como uma verdadeira equipa, faltava-lhe um capitão-geral que fosse escutado e se fizesse respeitar pelos jogadores. Em Novembro, Eduardo M. Cunha, que na crónica desportiva assinava com o pseudónimo de Unhaca, lembrava à comissão Administrativa do Vitória a necessidade absoluta de um entraineur, porque só assim poderá existir nesta cidade, um forte núcleo de futebol, que poderá defender galhardamente não só as cores do V. S. C., como também desportivamente, o bom nome desta linda, velha e nobre cidade de Guimarães. Era um treinador que faltava ao Vitória, para que pudesse enfrentar de igual para igual com as equipas de Lisboa e do Porto e afirmar-se como o primeiro entre os clubes de província. 1932 não chegaria ao fim sem que esta lacuna fosse preenchida, com a contratação de Genecy, o primeiro dos treinadores de origem húngara que fariam história no principal clube de Guimarães.

Depois, foi o que se viu. O Vitória entrou num processo imparável de afirmação regional e nacional. Logo na época de 1933-1934, retomava a sua participação em competições oficiais e quebrava a hegemonia do Sporting de Braga, conquistando o seu primeiro título de campeão distrital. Enquanto se disputou este campeonato, o Vitória ainda o venceria onze vezes, em treze possíveis. Em 1941, entrou para a História como o primeiro clube do Minho a competir no campeonato nacional de futebol. Com o tempo, iria consumar o destino que lhe estava traçado desde o início, tornando-se no clube de fora de Lisboa e do Porto com mais participações no campeonato maior do futebol nacional. O primeiro entre os clubes “de província”. Cumpriu-se o sonho dos homens da fundação de 1922 e do ressurgimento de 1932.

 

António Amaro das Neves

 

(publicado na revista Mais Guimarães - pág.35-39)



publicado por Miguel Salazar às 18:20
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015
A longa travessia do deserto...

(em 1927, o Vitória quase desapareceu do mapa futebolístico nacional; só ao fim de 5 longos anos, um grupo de resistentes conseguiu fazer renascer o clube para uma existência gloriosa; em 1932, terminava... A longa travessia do deserto...)

 

A longa travessia do deserto

 

Carlos Machado - 1932! Conseguimos, Senhor Campos!
 
Heitor Silva Campos - Tome nota do que lhe vou dizer, ó Machado: bem vai correr a vida sportiva ao nosso Victoria, agora que conseguimos sobreviver a estes cinco anos de travessia do deserto.
 
Carlos Machado - De facto, bem vai correr a vida sportiva ao nosso club. Não poderia eu estar mais de acordo com Vossa Excelência. Bem-lhe-vai... correr a vida...
 
Heitor Silva Campos - C'os diabos! O que não me o...corre, é um nome p'ró campo que você vai construir...


publicado por Miguel Salazar às 20:11
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015
o Ferrari e o “2 Cavalos”...

 

20150805 Corrida Automóveis.jpg

 

A época passada foi assim!

Em boa verdade tem sido sempre assim, nestes últimos tempos.

luta pela conquista dos mais recentes títulos nacionais de basquetebol, faz-me recordar as provas-Raínha das velhas corridas de automóveis dos anos 70. Nos Grupos 2, 3, 4 e 5 competiam conjuntamente, como se algum dia fossem sequer comparáveis, os mais modestos Datsuns 240Z, Mini-Coopers S e até Volkswagens “carocha” 1600... com os fabulosos Lolas T292, Porsches Carrera 6, Chevrolets Camaro e DeTomasos Pantera. Eram corridas completamente assimétricas e desequilibradas.

Se o nosso basquetebol fosse uma dessas corridas de automóveis, as competições destes últimos anos poderiam muito bem ser um Grupo 2, 3, 4... e 555, onde o Vitória disporia de um velho Citroën 2 Cavalos, em 2ª ou 3ª mão, e o Benfica de um Ferrari F430 Spider, novinho em folha, que só caberia mesmo num grupo 555.

É verdade !

Uns com um Ferrari... e nós com um velhinho Citroën 2 Cavalos...

Felizmente, seja lá qual for a competição automobilística que se esteja a considerar, o valor de uma equipa nunca se limita apenas à valia dos seus carros. Quando se dispõe de equipas de mecânicos que transfiguram motores, fazendo o milagre da multiplicação dos cavalos, e de pilotos que fazem de cada milímetro de alcatrão de cada competição, uma questão de vida-ou-morte, todos os sonhos são possíveis mesmo àqueles que têm os carros mais modestos.

E é exactamente por tudo isto que, apesar de a uns lhes ser dado quase tudo e aos outros quase nada, cada vez estamos mais perto do dia em que o nosso velho Citroën 2 Cavalos, em 2ª ou 3ª mão, há-de conquistar um Campeonato àquele fabuloso Ferrari...

 

Miguel Salazar

 

(cartoon publicado no blogue Depois Falamos)



publicado por Miguel Salazar às 12:15
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2015
Basquetebol Corre Corre, 2ª feira às 20h30m...

20150909 Basquetebol Corre Corre.png

da esquerda para direita:

Pedro Guerreiro (Presidente da Secção), Fernando Sá (treinador da equipa masculina),

Tam Ling (treinador da equipa feminina), Ana Oliveira (atleta) e Paulo Cunha (atleta)

 

A secção de Basquetebol do Vitória vai apresentar, na próxima 2ª feira, as suas equipas séniores, masculina e feminina, para a época de 2015/2016.

Apesar de lutar contra todos os constrangimentos financeiros, que são cada vez maiores, a secção apresenta duas equipas muito fortes, que nos irão permitir lutar seguramente pelos objectivos máximos das respectivas competições...

No sentido de promover a aproximação dos seus atletas aos Vimaranenses em geral, e aos Vitorianos em particular, os seus atletas irão participar na edição do Guimarães Corre Corre da próxima semana.

A secção de Basquetebol do Vitória espera por todos nós na Plataforma das Artes, dia 14 de Setembro, pelas 20h30m, esperando também que possamos retribuir-lhes, dando o nosso apoio no Pavilhão, quando ambas as equipas realizarem os seus jogos em Guimarães...



publicado por Miguel Salazar às 16:07
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