Quarta-feira, 3 de Junho de 2015
Ilustres Vimaranenses (25) - Salvador Ribeiro de Sousa...

20150425 Salvador Ribeiro Sousa.jpg

 

 

 

 

A caricatura de Salvador Ribeiro de Sousa é obviamente uma criação livre, uma vez que não existe qualquer registo das suas verdadeiras feições.

No entanto, a sua caracterização respeita escrupulosamente a descrição feita pelo Padre Manuel de Abreu Mouzinho.

No pouco espaço livre que restou para a minha imaginação, procurei simbolizar o enquadramento histórico da figura deste herói vimaranense.

A coloração das plumas do seu morrião e o brocado da casaca e dos calções, simbolizam as cores de Leão e Castela, a quem nessa altura estávamos subjugados.

Mas é no interior da sua casaca que reside a verdadeira essência do povo português: enquanto a face exterior representa o domínio estrangeiro, a interior pretende simbolizar a indomabilidade do nosso Povo, através do brasão da Realeza portuguesa, bordado a vermelho, como é característico dos bordados de Guimarães.

Ao pescoço, a Comenda da Ordem de Cristo que mais tarde viria a receber. 

E no seu braço esquerdo, um “escudo fino” com a mesma decoração do escudo do Guimarães das “duas caras”, escultura que encima a antiga Casa da Câmara e que domina a Praça da Oliveira.

Neste baixo-relevo está assim representada mais uma vez a nossa ânsia pela restauração da independência, em que as raízes de uma oliveira (outro símbolo vimaranense) dominam e derrotam o leão espanhol.

 

Miguel Salazar

 

 

O outro rei de Guimarães

A história extraordinária do vimaranense Salvador Ribeiro de Sousa

 

Hoje quase esquecido, Salvador Ribeiro de Sousa é uma das figuras mais extraordinárias da epopeia dos portugueses na Ásia. Nasceu em Guimarães e foi rei na Birmânia. Para a história ficou conhecido como Massinga, o rei do Pegu.

Quase tudo o que sabemos sobre Salvador Ribeiro de Sousa é o que nos conta o padre Manuel de Abreu Mouzinho: veio ao mundo no lugar de Quintães, do antigo Couto de Ronfe, no termo de Guimarães. Era filho de Frutuoso Gonçalves de Sousa, sendo “de limpo e nobre sangue”. Provavelmente por não ser o primogénito, seguiu o destino de muitos filhos segundos da nobreza do seu tempo: em Março de 1587 fez-se ao mar e partiu para a Índia, em busca de riqueza e glória. Com ele embarcaram dois dos seus irmãos, que nas paragens do Índico em vez da fortuna que procuravam, encontraram a sepultura. Como tantos outros, morreram “gloriosamente em serviço de Deus e de El-Rei”.

Ao longo dos treze anos que se seguiram à sua partida de Lisboa, Salvador levou uma vida aventurosa, envolvendo-se em expedições militares em que se destacou pela bravura de soldado e pela prudência de capitão. No Ceilão chegou a capitão duma companhia. Aí permaneceu seis anos, até ao dia em que decidiu que era tempo de regressar a Portugal, para demandar do rei a retribuição que lhe era devida pelos seus serviços e pelos dos seus desafortunados irmãos. A viagem para Goa, onde iria embarcar para Lisboa, foi interrompida pelo mau tempo, que forçou o barco em que seguia a fundear no porto de Sirião, na foz do rio Pegu. Corria o mês de Junho de 1600 e a terra a que aportava vivia tempos conturbados. Havia poucos dias que, após longos anos de guerras sangrentas, o cruel rei do Pegu se rendera ao seu vizinho de Tangut, ficando o seu reino exposto à cobiça dos príncipes reinantes nas terras vizinhas, entre os quais se destacava o rei de Arracão, que por esses dias estava em Sirião, à frente de uma armada composta por uma centena de baixéis.

Foi em Sirião que Salvador Ribeiro conheceu Filipe de Brito de Nicote, mercador de Lisboa que há duas décadas tentava a fortuna na Ásia, e que então andava no séquito do rei de Arracão, exercendo o ofício de changá (vedor da fazenda). Discorrendo ambos sobre “o miserável estado a que estava reduzida esta monarquia tão opulenta”, e percebendo Salvador que seria vantajoso para a presença portuguesa na Ásia o estabelecimento duma feitoria naquelas paragens, obteve licença do rei de Arracão para edificar uma casa de mercador em Sirião. Todavia, em vez de uma casa, Salvador começou a erguer secretamente uma fortaleza.

O rei de Arracão não demorou a perceber que Salvador Ribeiro não era mercador, mas sim capitão de guerra, e que o que estava a ser construído não era a casa de comércio que tinha autorizado. Logo se arrependeu do consentimento que dera de boa fé, decidindo livrar-se da ameaça que via erguer-se em terras do reino que acabava de fazer seu. Juntou uma numerosa armada, que fez descer o rio, convencido de que lhe seria fácil desbaratar os portugueses. Porém, Salvador Ribeiro, tendo notícia do que se preparava, saiu ao encontro dos atacantes, subindo o rio com “três batéis velhos de umas naus de mercadores, que ali tinham ficado, e com trinta soldados portugueses que tinha, providos de escopetas, alcanzias de pólvora e lanças de fogo (porque não tinha artilharia)”. Ao maior número e à maior força do inimigo, respondeu o capitão vimaranense com as vantagens da surpresa e da ciência militar, atacando onde não era esperado. Assim que chegou à vista da armada do rei de Arracão, “investiu com tal braveza e esforço, que por mais que os inimigos se procuraram defender, como foram apanhados de repente, e as balas e alcanzias começaram a chover com morte de muitos dos inimigos, obrigou-os a porem-se em infame fugida, lançando-se uns à água, outros saltando em terra, e os que se achavam mais apartados, pondo a esperança de sua salvação na força dos remos, tornaram com diferente velocidade por onde tinham vindo”.

Corriam os primeiros dias do ano de 1601 quando o nome de Salvador Ribeiro de Sousa começou a ser pronunciado com respeito e temor pelos príncipes das terras vizinhas. Porém, não tardaria até que os portugueses de Sirião voltassem a estar sob o fogo inimigo. O banhá (título atribuído no Pegu à principal autoridade, a seguir ao rei) Lao assentou arraial junto à fortaleza, à frente de um exército composto por mais de seis mil homens, com o propósito de a destruir e de eliminar os que a defendiam. Porém, o perigo aguçava a argúcia e o destemor de Salvador Ribeiro. No silêncio da noite, investiu no acampamento dos sitiantes, “entrando com grande silêncio pelas barracas, achando os inimigos sepultados no sono e descuidados, não parou até chegar à do banhá Lao, ao qual, conhecendo-o pelo aparato e insígnias, levou nos braços com tanta força e esforço, que em pouco espaço o privou da vida”. Os portugueses chegaram fogo às tendas dos sitiantes que, tomados pela confusão e pelo pânico, dispersaram na maior desordem.

Mas as provações de Salvador Ribeiro de Sousa ainda estavam longe de terminadas. Logo em seguida, foi atacado pelo muito poderoso banhá Dalá, que jurara vingar a morte do banhá Lao, de quem era sogro. Durante mais de meio ano, a fortaleza portuguesa de Sirião ficou sob cerco, sujeita a terríveis assaltos. Por todo aquele tempo, Salvador Ribeiro enfrentou as maiores adversidades, os combates desiguais, a fome, o desânimo e a insubordinação e deserção dos seus soldados, de que apenas sobrariam dezoito para enfrentar um formidável exército. A tudo resistiu, até ao dia em que, com o socorro de algumas naus de mercadores que aportaram em Sirião, conseguiu romper o cerco inimigo. Daqueles dias lhe ficou uma cicatriz de uma ferida que lhe rasgou a face desde a orelha esquerda até à boca. Bem maiores foram as perdas infligidas ao inimigo.

Entretanto, correndo a notícia de que o rei do Pegu tinha sido morto às mãos do seu cunhado, o rei de Tangut, os banhás e xemins (capitães) daquelas terras, reconhecendo que o sentido de justiça e a rectidão de Salvador Ribeiro de Sousa igualavam a bravura com que alcançara as suas assombrosas vitórias, decidiram proclamá-lo rei. Com a aprovação do rei de Tangut, o português foi aclamado rei Massinga do Pegu, entregando-lhe a lâmina de ouro que simbolizava o poder real. Assim se cumpria uma antiga profecia, há muitos anos inscrita pelos sacerdotes nos livros sagrados, segundo a qual o senhorio daquele reino, depois de muitas provações, seria entregue a “homens estrangeiros de rostos e dentes alvos, e cabelo cortado”. E foi assim que Salvador Ribeiro de Sousa, vimaranense de Ronfe, se fez rei na Birmânia e foi adorado quase como uma divindade pelos seus súbditos, que lhe chamavam Quiay Massinga, que significa “deus da terra”.

Mas, se os naturais reconheceram o mérito de Salvador Ribeiro nas vitórias e nos sucessos dos portugueses naquelas paragens da Ásia, o mesmo não fizeram os seus. Enquanto Salvador Ribeiro trazia, a duras penas, o reino do Pegu para os domínios portugueses, Filipe de Brito e Nicote insinuara-se junto vice-rei da Índia portuguesa, Aires de Saldanha, de quem recebeu honras de capitão e uma sobrinha para desposar, para além de carta de patente de Capitão-mor e Conquistador de Pegu, para cuja conquista em nada contribuíra.

À ingratidão, Salvador Ribeiro de Sousa responderia, contra a vontade dos seus soldados e dos peguanos, com “um dos mais subidos toques de lealdade e grandeza de ânimo, que tem sucedido em muitos séculos”, afirmando-se vassalo do rei de Portugal, pelo que “com ânimo sossegado e obediente entregava a quem seu vice-rei lhe mandava, ainda que contra razão, e justiça”, sujeitando-se a “honrar com o sangue, que ele derramara, a Filipe de Brito, que seguro, e regulado, estava dali mais de duzentas léguas sem entrar em Pegu todo o tempo da guerra, e agora que estava um paz, vir gozar do proveito, e honra alheia”.

Entregue o reino do Pegu a Nicote, Salvador Ribeiro decidiu que era tempo de terminar a viagem que iniciara três anos antes, e que a inclemência do tempo interrompera, fazendo- o aportar em Sirião. Mas o vimaranense ainda teria novo ensejo para demonstrar a sua lealdade à coroa portuguesa e aos que o um dia o aclamaram rei. Enquanto aguardava a partida para a Índia, recebeu a notícia de que um tal Banca Capitão reunira grande número de homens e se entrincheirara na cidade de Pegu, impedindo que as mercadorias chegassem a Sirião. Vendo que Filipe de Brito nada fazia, “quis Salvador Ribeiro compor aquele motim e apagar aquelas faíscas”, embarcando com uma força de duzentos portugueses e alguns ximins, ao encontro dos amotinados. E, “como aquela gente era de pouca importância, e seu Capitão com os demais trazia sempre representado na memória o nome de Massinga Rei, foi tal o temor, que entrou neles, que com facilidade desamparam a Cidade, não a tão pouca custa sua, que os nossos deixassem de levar alguns navios carregados de cabeças de inimigos em sinal do que tinham trabalhado”.

Por uma última vez, “entrou como costumava Salvador Ribeiro vitorioso na fortaleza”.

Algum tempo depois, em Março de 1603, Salvador Ribeiro partiu rumo a Portugal, “deixando aquele Reino, em que Deus o levantara ao alto da humana felicidade, regado com seu sangue, possuído de outro, com ânimo mais generoso do que se pode encarecer, em Março de mil e seiscentos e três anos deu as velas ao vento de largas esperanças, que de ordinário se desfazem naquilo de que se sustentam”.

Do mais da vida deste herói vimaranense pouco sabemos de certo, a não ser que, no ano de 1608, foi inscrito no Livro de Matrícula dos Cavaleiros da Ordem de Cristo. Alguns autores dizem que se recolheu à terra que o viu nascer, onde teria terminado os seus dias mergulhado na mais triste pobreza. No entanto, é muito provável que tenha vivido os seus últimos anos em Alenquer, numa situação económica que andaria longe da pobreza. Terá contribuído com um avultado donativo para o restauro do oratório do pequeno convento de franciscano de Santa Catarina daquela vila, em cuja capela seriam depositados os seus restos mortais. Numa das paredes das ruínas da Casa do Capítulo daquele recolhimento, ainda subsiste uma lápide onde se lê:

Salvador Ribeiro de Sousa, Comendador de Cristo,

natural de Guimarães, a que os naturais do reino de Pegu

elegeram por seu rei.

Quanto a Nicote, que tinha tanto de ambição como Salvador Ribeiro acumulava de bravura e de desprendimento acabaria os seus dias em 1613, pendurado na forca de Sirião. E, suprema ironia, a sua cabeça lá ficou, espetada num pau num dos adarves da fortaleza que Salvador Ribeiro de Sousa erguera e que ele não soubera conservar.

 

Nota: os fragmentos deste texto colocados entre aspas são citações do ““Breve discurso em que se conta a conquista do reino de Pegu”, de Manuel de Abreu Mouzinho.

 

António Amaro das Neves

 

revista Mais Guimarães

 

 

NOTAS ADICIONAIS

 

O Pegu

Pegu, a que os locais chamam Bago, é o nome de um rio e de um antigo reino da Birmânia, actual Myanmar. No início do século XVII, Sirião, hoje Thanlyin, a povoação onde o vimaranense Salvador Ribeiro de Sousa fez erguer a sua fortaleza, era o mais importante entreposto comercial do Sul da Birmânia, situando-se na confluência do rio Pegu com um dos braços do delta do rio Irauádi.

 

Salvador Ribeiro de Sousa na literatura

O breve reinado de Salvador Ribeiro de Sousa no Pegu, os seus feitos militares e a sua lealdade transformaram-no num herói quase lendário, cuja história preencheu muitas páginas de escritores portugueses.

O primeiro autor a tratar desta figura foi escrito por Manuel de Abreu Mouzinho, em castelhano, com o título “Breve discurso en que se cuenta la conquista del reyno de Pegu en la India de Oriente, hecha por los Portuguezes desde el año de mil y seiscientos hasta el de 603, siendo capitan Salvador Ribero de Soza, natural de Guimarães, a quien los naturales de Pegu elegieron por su Rey”, publicada em Lisboa em 1617. A tradução em língua portuguesa, obra de autor desconhecido, aparecia no final da “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto, a partir da edição de 1711. Esta obra é a fonte de quase tudo o que se escreveu sobre Salvador Ribeiro de Sousa, havendo diversos argumentos que depõem a favor da sua credibilidade: o autor foi, durante quase uma década, Ouvidor das Apelações, em Goa, escreveu sobre acontecimentos que haviam sucedido poucos anos antes da publicação da obra e, muito provavelmente, conheceu Salvador Ribeiro.

Ainda no século XVII, Manuel de Faria e Sousa, no 3.º Volume da sua “Ásia Portuguesa” (publicado a título póstumo em 1675), dá uma perspectiva diferente da de Mouzinho, sustentando que o título de Rei de Pegu não foi dado a Salvador Ribeiro, mas sim a Nicote. No entanto, não temos razões para dar, nesta matéria, mais credibilidade a Faria e Sousa do que ao padre Mouzinho, uma vez que escreve muito mais tarde, invocando “informações de pessoas de crédito”, que não identifica.

António Diniz da Cruz e Silva, o Elpino Nonacriense da Arcádia de Lisboa, dedicou a Salvador Ribeiro uma das suas Odes Pindáricas, publicada pela primeira vez em 1801, dois anos após a sua morte.

Inácio Pizarro de M. Sarmento, no seu “O Romanceiro Português, ou colecção dos romances de História Portuguesa”, editado em 1845, dedicou um romance ao Massinga.

António Francisco Barata, incluiu um poema dedicado a Salvador Ribeiro de Sousa, no seu Cancioneiro Português, publicado em 1866.

No capítulo XII no seu romance “O senhor do Paço de Ninães”, publicado pela primeira vez em 1867, Camilo Castelo Branco refere-se à figura de Salvador Ribeiro, pela qual não nutria grande simpatia. Numa nota de rodapé, afirma que “o maior obséquio que podemos fazer às cinzas de Salvador Ribeiro é não as remexer”, por o seu título de Massinga se fundar “na covardíssima degolação do rei daquele reino”.

Embora não se conheça qualquer descendência do nosso Massinga, o protagonista da peça de teatro O Rajah de Bounsuló, de Licínio F. C. de Carvalho, editada em livro em 1854, é filho de Salvador Ribeiro de Sousa. É ele Dom Vasco, aliás Dom Jaime, aliás, o rajá que dá título à obra.

 

Salvador Ribeiro de Sousa

Como sucede com tantas outras figuras da nossa história, a começar pelo rei fundador, não conhecemos nenhum retrato do Massinga vimaranense. No entanto, o padre Mouzinho descreve-o com suficiente detalhe: “vestido de gala à espanhola e posto sobre o colete de Anta peito espaldar, deitado à ilharga um largo, e outro alfange com as guarnições de ouro maciço, pendurado por uma liga de tafetá cor de ouro, no braço direito outra liga verde, insígnia de esperança, a qual movida do vento parecia uma formosa asa, na cabeça resplandecente morrião ornado com vistosas plumas, embraçado um escudo de fino aço com outra espada larga, que tomara ao pajem, casaca e calções de brocado, meias e ligas amarelas, e sapatos brancos; e como era mancebo, a barba de cor castanha, o rosto corado e bem proporcionado corpo, levou atrás de si os olhos dos próprios Soldados e inimigos”.

A esta descrição, Mouzinho acrescenta uma cicatriz no rosto desde a orelha esquerda até a boca, que lhe ficou do episódio do cerco do banhá Dalá à fortaleza de Sirião.

 

As ruas do Rei do Pegu

A toponímia vimaranense regista a memória do vimaranense que chegou a rei em terras da Birmânia em duas artérias, uma na freguesia onde nasceu, Ronfe, a rua Salvador Ribeiro de Sousa (Rei do Pegu), outra na cidade de Guimarães, a rua Rei do Pegu. Esta última é aquela por onde se entra no parque das Hortas, indo da rua Dr. José Sampaio. No entanto, se se perguntar a um vimaranense onde fica a rua com tal nome, é possível que a resposta aponte em direcção bem diferente. 

Tanto quanto se sabe, já no século XIX teria havido uma sugestão para introduzir Salvador Ribeiro de Sousa na toponímia da cidade de Guimarães. No entanto, só muito mais tarde se consumaria essa consagração. Em sessão da Câmara Municipal realizada no dia 17 de Abril de 1950, o vereador Manuel Alves de Oliveira viu aprovada por unanimidade uma proposta para que se registassem na toponímia vimaranense alguns “nomes dignos de perpetuação” (S. Gonçalo, Salvador Ribeiro de Sousa, os Navarros de Andrade, o Conde de Arnoso, Guilherme de Castilho) e para que se desse ao caminho que termina no portão do cemitério da Atouguia o nome de rua da Saudade. Na justificação dessa proposta, pode ler-se: 

“Outro nome “de alma lavada, coração nobre, peito esforçado e braço valente”

Na frase de Vilhena Barbosa – é o de Salvador Ribeiro de Sousa, que tendo partido para a Índia, na armada que saiu do Tejo em Março de mil quinhentos e oitenta e sete foi, por seus feitos arrojados, aclamado pelo gentio, Rei do Pegu. Este “herói de assinaladas vitórias, o símbolo de abnegação e o exemplo vivo do mais vivo amor da Pátria” como escreveu o nosso Padre António Caldas, no volume primeiro do “Guimarães” -, obedecendo às ordens de Aires Saldanha, então Vice-Rei da Índia, desceu com heróica abnegação do trono “a que o elevara o seu valor e a vontade de um povo, com dignidade verdadeiramente soberana”, para acabar seus dias em Alenquer, onde ficou sepultado no extinto convento de Santa Catarina.” 

revista Mais Guimarães

 

E assim Guimarães passou a ter uma “rua de Salvador Ribeiro de Sousa, Rei do Pegu”, situada entre a rua Francisco Agra e a actual Alameda Alfredo Pimenta e dando acesso à antiga ponte de Santa Luzia. Mas não por muito tempo: essa designação cairia depois do 25 de Abril, passando aquela rua a ostentar a sua designação actual (rua dos Bombeiros Voluntários). Porém, o apagamento do nome do Massinga da toponímia vimaranense esteve na origem de uma polémica que se prolongou pelos anos fora, até ao dia em que a Câmara Municipal aproveitou a requalificação da zona das Hortas para reparar uma injustiça, baptizando uma das novas artérias com o nome que estava em falta. Ficou a chamar-se, simplesmente, rua Rei do Pegu.

 

(caricatura publicada no blogue Memórias de Araduca)



publicado por Miguel Salazar às 19:23
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